Tratado pré-20 e poucos anos

Queria o tempo todo ser mais, saber mais, querer mais, sonhar mais, quebrar mais, gostar mais, sentir mais. Nunca era o suficiente, porque não havia de ser - nunca havia tanto para ser. Em seu andar fatigado pelo sentimento melancólico da alegria permanente, resolveu que, daquele dia em diante, seria menos. Se não tinha dado certo até então, por que não inverter a tal da estratégia? Todo bom ser vivo pós-moderno sabe que estratégia é a alma do negócio.

Saiu então de seu casulo cheio de rancores e insatisfações para dar um salto no escuro - estava pouco se importando com o mundo. Mentira, estava pouco se fodendo para o mundo, porque rebeldia só é legitimada através de um bom palavrão.

Agora, inspirada em Scarlett Ohara, não mais em Scarlett Johanson, nunca mais passaria apuros na vida. Pararia com bestas comparações e viraria uma mulher segura, inteligente, pós-moderna, capaz de lidar melhor com os sentimentos, e se livraria dos clichês cotidianos que dão um sabor mais populacho à vida de cada um.

Na busca por um eu mais cult, menos eu, procurou o que estava longe dela, e acabou encontrando o que a perseguia. No espelho em que se refletiu, não viu mais os traços prestes a completar 20 anos de alegrias e agruras sublimes. Mudou, porque uma parte da máscara caiu. Mas continuou fingindo para sua platéia imaginária - que experiência de vida não é nada além de bons macetes de palco.



Escrito por Vanessa às 15h58
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Zé Celso e a Santidade do Teatro Oficina

Depois que Os Sertões estreou naquele teatro, minha vida não é mais a mesma. A percepção de teatro, de arte, do mundo - até do Zé Celso - mudou. Na semana passada, voltei para assistir à peça Santidade, que está em cartaz no prédio, e conta com atuação do Zé, do Haroldo Costa Ferrari e do Fransérigio Araújo. A direção é do Marcelo Drumond. Todos eles eu conheci durante Os Sertões, e aprendi a admirá-los como profissionais e artistas que são.

O texto  que eu fiz sobre a peça resume a experiência incrível que é passar pelas grandes portas de ferro do Oficina. Se quiser ler, clique aqui.



Escrito por Vanessa às 22h59
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Mestres

Sempre fui fascinada por professores. Minha primeira paixão adolescente foi um deles, aliás. Mas deixa isso pra lá. Onde estava mesmo? Ah, é. Sempre fui fascinada por professores. Não pelo giz e pela lousa, pelas contas ou pela geografia marinha da Austrália que eles ensinam quando a gente deixa, mas pela capacidade que eles têm de me fazer mergulhar nos livros.

Alguns deles são realmente inspiradores. Cinqüenta minutos em uma sala e você sai com vontade de explorar os sebos do mundo. Outros podem ser meio enfadonhos, mas duvido que algumas palavras na sala dos professores depois da aula não te deixem com vontade de conversar um pouquinho mais. Isso porque, se tem alguém que acredita no livro, é ele. Na cultura, no conhecimento, na sabedoria.

Quando estava na oitava série, tive aula com uma das mestras do primeiro time. A matéria se chamava Redação. Tem que ser um gênio para dar aulas de alguma coisa que não se pode ensinar. Foram quatro anos com a mesma professora. Uma vez ela nos contou que um professor (sempre eles) do ginásio havia lhe falado que a cultura é a única forma verdadeira de liberdade. Ela acreditou e o resto foi detalhe.

Eu acho que é isso que me fascina nos professores. Os bons te ensinam a acreditar que a abstração absurda de uma aula de filosofia crítica pode mudar o mundo. Em jornalismo, é ainda pior: eles tentam te mostrar que contar histórias é o princípio de tudo, que informar é útil ainda hoje, e que você pode se divertir com isso. Falaram tanto que eu acho que estou começando a acreditar. 



Escrito por Vanessa às 22h26
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Mais crítica

Para aqueles que gostam de teatro. Eu se que estou sendo utópica nesta frase, mas resolvi ser otimista hoje. Se você não gosta de teatro, não sabe o que está perdendo. Eu sei.

http://www.facasper.com.br/cultura/site/critica.php?tabela=&id=103



Escrito por Vanessa às 01h25
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O lado negro da força

Sim, plagiando quase todos os órgãos jornalísticos que cobriram a estréia mundial de Homem-Aranha, eu uso a metáfora que liga as aventuras do herói em quadrinhos às peripécias de Darth Vader.

Mas, aqui, esta comparação tem um significado um pouco mais profundo. Além de ligar a trama mais obscura da trilogia do Aranha ao filme histórico Guerra nas Estrelas, ela mostra a força que alguns símbolos têm na cultura pop e, dái, no mercado cinematográfico.

Fato é que eu nunca assisti Guerra nas Estrelas. E mesmo assim sei quem é Darth Vader, rio das piadas que incluem I'm your father, acho o Yoda a criaturinha verde mais marota das telas e tenho uma leve idéia de quem seja o Luke Skywalker.

E, depois dos 35.786 releases que eu li sobre Homem-Aranha 3 que, aliás, entra em cartaz nos cinemas do mundo todo nesta sexta-feira, dia 4 de maio, posso entender as comparações. Neste filme, Peter Parker precisa combater um inimigo um pouco mais poderoso: ele mesmo. É a trajetória do herói que passa sempre pelo auto-conhecimento, e mostra as dificuldades de controlar os próprios impulsos.

O filme só reafirma o que os fãs já sabiam há muito tempo. Peter Parker é bom porque é comum. Enfrenta problemas com grana, relacionamentos e crises existencias. Em suma, você já foi picado por uma aranha hoje?

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Agora, uma menção honrosíssima em um dia um pouqinho especial. Há 17 anos, nasceu a maior patrocinadora da redação deste Vida En-Cena. Se você já leu um comentário idiota e cheio de piadas internas, cifradas, sobre seriados obscuros e citações estranhas, foi ela que escreveu.

Dresa, como ela assina, é um serzinho estranho e meio nerd (em se tratando de séries e cultura pop) que sabe até o nome da marca de colan preto usada pelo vilão do Spiderman (de novo ele) na versão para TV de 69. Ou o nome do cabelereiro do Zach Braff na primeira temporada de Scrubs e as razões (dizem) polêmicas pelas quais ele foi demitido.

Tradutora por vocação e colegial por imposição da lei, ela é a irmãzinha querida da Vanessa, a pseudo-jornalista estranha que assina essas linhas. Coisa, parabéns, eu sei que criei um pequeno monstrinho, mas você é meu orgulho.

Escrito por Vanessa às 09h37
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