Atendendo a Prostestos (e contando com certa liberdade literária)

Ela era perua desde criança. Uma pequena promessa de socialite. No primeiro ano da faculdade, namorava um mauricinho, como já era de se esperar.

Um belo dia, saiu da aula e foi encontrar o amor. O tal do mauricinho. Entrou no hiper carro dele, banco de couro, zerinho, cheiro de novo. Ele, camisa preta, calça social, um sonho. Loiro, lindo, o cara que ela sempre imaginou que apareceria na sua vida. Super romântico (e com dinheiro para bancar a babaquice toda).

- Tenho um presente pra você. Eu achei a sua cara.

Ela, em rompante de Sex And The City, já imaginou um buquê de rosas colombianas (bem ao estilo dela), uma caixa de bombons caríssimos, ou um perfume daqueles das revistas. Que nada. Boaquiberta, nossa fofa viu o bofe tirar do bolso um pintinho, desses que se vende na 25 de março e pulam à corda.

O que fazer? Ela agradeceu, deu um sorriso, meio amarelo, mas uma pergunta não calou. Elas nunca calam. Vêm nas horas mais inapropriadas do mundo.

- Você achou isso parecido comigo?

Se a boa educação a tivesse dominado, ela teria ficado quieta. Mas, não. Adeus banco de couro, adeus carro zero, adeus maurício cheiroso e lindo de camisa preta.

Ele também ficou magoado



Escrito por Vanessa às 18h58
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A Educação Sentimental do Vampiro

Prometi uma análise mais profunda, portanto, aqui está ela.

Para ler a crítica desta redação sobre a nova peça da Sutil Companhia de teatro, clique aqui.

Ps: Sim, pelo número de caracteres dos últimos posts, eu escrevi mais na última semana do que nos três meses anteriores.



Escrito por Vanessa às 17h54
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Sob o Olhar do Poeta

Em 1936, foi, pela primeira vez, editado o livro “Crônicas da Província do Brasil”, de Manuel Bandeira. O volume reunia textos publicados em jornais, a maioria deles no “A Província”, “Diário Nacional” e “Estado de Minas”.

Nascido em 1886 – neste 19 de abril comemora-se 121 anos –, Manuel Carneiro de Souza Bandeira foi um dos mais ilustres artistas do movimento modernista brasileiro. Autor de livros de poesia consagrados, como “Estrela da Manhã” e “Libertinagem”, o escritor dedicou, porém (e surpreendentemente), mais volumes de sua obra à prosa do que aos versos.

     “Crônicas da Província” é a primeira das prosas, e pretende traçar um panorama da produção do autor sobre paisagens (e passagens) furtivas. São textos que, à época de sua elaboração, foram destinados à publicação perecível, estampando os periódicos do começo do século.

     Daí, por mais contraditório que seja, a perenidade destas crônicas. Se há uma unidade entre os textos, é a capacidade que eles têm de fotografar o objeto das palavras de Bandeira. São retratos simples, muito bem construídos, revelados em um preto e branco amarelado de foto antiga, com barba, bigode, bengala e chapéu.

     A diferença destes para outros escritos sobre aquela época está, como não poderia deixar de ser, no autor. Calejado na busca constante pela exata palavra – ossos do ofício de poeta –, Bandeira alcança um discurso de raro refinamento.

     A cada linha, a linguagem aprimorada do poeta brinca com as expectativas do leitor e conduz palavras e expressões a um degrau acima do comum, do usual. Na pena do poeta do castelo, as notas estão sempre um tom acima.

     Os assuntos abordados nem sempre giram em torno da tal província brasileira, mas não há dúvida de que estão em maioria. A arquitetura, as cidades históricas – seja em Minas, na Bahia, ou em Pernambuco, sua terra natal – e comentários sobre personalidades como Aleijadinho, Carlos Drumond de Andrade e Charles Chaplin dão cores intimistas ao livro.

     O tom pessoal, marca constante na poesia de Bandeira, está tanto na escolha dos temas, como na maneira como são abordados. O texto dedicado a Mário de Andrade toma este mais como amigo de longa data, confidente com quem trocava correspondências freqüentes, do que como assunto potencialmente literário. E este traço de “Crônicas da Província” está longe de ser objeto de crítica.

     Antes, nada mais saboroso do que adentrar as preferências, os gostos e as lembranças de um dos maiores escritores brasileiros. E, além do mais, não foram poucas as essências poéticas que o poeta já fez brotar de temas banais.

     Em 1904, Manuel Bandeira recebeu a notícia de que carregava a “doença do peito”, a temida tuberculose. A partir dos 18 anos, portanto, passou a enfrentar a perspectiva da morte, tema que transparece em diversos pontos de sua obra. O olhar que o poeta passou a destinar às coisas do mundo sofreu todas as transformações. E, aliada ao talento e à admirável capacidade intelectual deste pernambucano, a presença da morte talvez tenha feito Manuel reconstruir a vida.



Escrito por Vanessa às 09h52
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A Noite do Aquário

Divulgaçao
Crédito de Foto: Lenise Pinheiro
 
 
O grupo de teatro Os Satyros tinha a seguinte proposta: para comemorar sete anos de ocupação da Praça Roosevelt, em São Paulo, convidaria sete autores e sete diretores para viabilizarem um projeto ambicioso: "E Se fez a Praça Roosevelt em Sete Dias". Uma peça para cada dia da semana, às sete da noite. Sim, o número é cabalístico.

Um dos dramaturgos que aceitarou a empreitada foi Sérgio Roveri, queridinho do teatro atual, principalmente depois de levar para casa o Prêmio Shell, e os oito mil reais a que ele dá direito, pela peça "Abre as Asas Sobre Nós".

Roveri ficou com a sexta-feira. Uma belíssima sexta-feira, aliás. Sua peça ele intitulou de A Noite do Aquário. O tema, comum a todos, era a Praça Roosevelt, centro teatral da cidade de São Paulo.

A história de Roveri é a seguinte: um homem que mora em uma cidade ribeirinha em algum interior do norte sai de casa por não agüentar mais a vida que leva ao lado da pobre família, migrando para São Paulo, ao lado da Praça. Pouco tempo depois, é a vez do filho mais velho abandonar a mãe e o irmão. Oito anos se passam, até o regresso do garoto que já virou homem, e tudo o que restou foi uma carta do pai, descrevendo a praça e a grande árvore que fica ao centro.

A poética história resolve situar a Roosevelt no imaginário dos atores, ao invés de torná-la lugar físico. Ela está presente no palco, porque esta é uma história sobre rejeição, a pobreza da gente deste país, a loucura que é sofrer de abandono, assuntos tão comuns às pessoas que vivem em torno da Praça.

A Noite do Aquário é uma sexta-feira triste, melancólica, poética. Como o "Andaime" tenta ser e como "Abre as Asas" foi tão bem. Cada um a seu modo, são grandes textos de um dramaturgo para se prestar atenção.


Escrito por Vanessa às 00h12
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Diário da madrugada

Cinco e meia da manhã, táxi na Bela Cintra, pés cheios de bolhas, cansada, depois de uma noite ao lado de meninas fofas, baratas e o Zé da Medalha.

Diálogo com o taxista:

- Então, hoje eu peguei uns gringos, muito legais.

- Ahn. (sono)

- É, levei eles até o Anália franco.

- Longe, né? (sono)

- Ah, vou falar! Levei eles num PUTEIRO no Anália Franco.

- Sério? (sono)

- É, eles eram tão legais que me pagaram até um menina.

- Hum..

- E aonde você foi hoje à noite?

- Ah, fui no Geni, depois da Lôca, e depois na Bella Paulista tomar café.

- A Lôca é GLS, né?

- É.

- Hummmmmmm...

Resumo: Voltando pra casa às cinco e meia da manhã, pés cheios de bolhas, com um sorriso no rosto e um taxista que acha que eu sou lésbica.



Escrito por Vanessa às 09h21
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De um arqui-inimigo que me faz sorrir

Garoto de 15 anos, criado nos confins do Portal do Morumbi, tenta se aventurar em uma movimentada e animalesca 25 de março. Horas e horas muita muamba, procurando pelas novidades tecnológicas do momento.

De repente, passa correndo, entre aqueles camelôs todos, uma figura apressada que gritava "Olha O Rappa!".

Parado no meio da multidão, o garoto pensou: "Nossa! O Falcão por estes lados! Que genial! Adoro essa banda!"

Só percebeu que não estava participando de um show instantâneo do grupo, algum tempo depois, quando começou a ouvir uns tiros para o alto.



Escrito por Vanessa às 11h00
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Que jeito.

O primeiro passo é assumir o problema. Mas às vezes isso não é suficiente. A gente sabe cada um dos defeitos, dos obstáculos, dos traumas e dos porquês, mas não sabe o caminho de volta, não consegue pular as pedras que colocaram no meio do caminho.

E a vida vai ficando mais e mais dura, e o mundo mais e mais apertado. Sufocante de um jeito que só você sabe. Porque só você vive e só você ama daquele jeito, só você anda todos os dias naquele caminho, só você pega aquele ônibus e desce aquela rua. Ninguém está no seu lugar, in your shoes.

E tudo o que você tem é um punhado de amarguras e a vida que vai correndo e correndo sem esperar que você se recupere. Não restou nada além de uma prepotência literária barata e sorrisos instantâneos. Cada vez mais instantâneos.

E, no dia seguinte, a vida continua te empurrando pra frente. Que jeito?



Escrito por Vanessa às 21h14
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Antes tarde do que nunca

A Casa dos Budas Ditosos é uma grande ode ao pecado. Um espetáculo que merece ser lembrado como uma das grandes atuações de Fernanda Torres.

A redação deste blog te conta um pouco da peça se você clicar aqui.



Escrito por Vanessa às 16h59
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Chocolate

Ah, a Páscoa! Tempo de comer chocolate, celebrar os ovos coloridos nos supermercados e ganhar bombons. Ah! Tempo de fazer trabalhos atrasados, passar o dia dormindo e assistir filmes antigos na TV.

Feliz Páscoa à todos os leitores do meu querido e poeirento blog, que ajudam a manter a redatora com um mínimo de auto-estima, e fazem comentários fofos e aconchegantes. Aos que dessem a lenha também. Afinal, Páscoa é tempo de amor. Eu acho.

Ainda como uma dessas



Escrito por Vanessa às 14h57
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Uma história de amor

Há dois anos, entrei em um novo mundo. No dia 4 de maio de 2005, adentrei o teatro popular do SESI para assistir a um espetáculo que mudaria tanta coisa. O teatro não fica a menos de 5 metros da Unigazeta e, como estava por ali mesmo, resolvi enfrentar a fila maluca para uma sessão da peça.

O espetáculo era Avenida Dropsie, da Sutil Companhia de Teatro. Durante pouco mais de 2 horas, Felipe Hirsh e sua turma apresentaram uma frestinha daquilo que a gente pode chamar de vanguarda. Daquelas 2 horas, traços da genialidade do diretor ficaram para sempre, como herança do teatro brasileiro, ressonando pelos palcos.

Ontem à noite, assisti ao primeiro ensaio geral (para convidados, deixa eu ser metida, tá) de A Educação Sentimental do Vampiro, último trabalho da Sutil. Críticas mais elaboradas virão, até porque não paro de pensar em teorias e mais teorias relacionando a obra do grupo às referências curitibanas de Felipe e Guilherme, à paixão cinematográfica da dupla, e ao universo sombrio, obscuro, minimalista e delicioso do vampiro de Curitiba, Dalton Trevisan.

Mas, agora, o que posso dizer é que a sensação que tenho é sempre a mesma, quando assisto a um espetáculo da companhia. Parece que eu passei o ano inteiro assistindo espetáculos em todos os lugares de São Paulo, acompanhando o cinema de arte mundial, ouvindo trilhas ousadas e arrebatadoras, para ver, ao final de tudo isso, a condensação de todo este pensamento na obra de Felipe.

Há dois anos, a voz de Gianfrancesco Guarnieri, como o criador e desenhista de graphic novels Will Eisner traduzia um pouco do espírito de Hirsh, um jovem diretor que - escrevo isso com o maior dos sorrisos - ainda tem tanto, tanto tempo para avançar na pesquisa teatral de suas deliciosas novas linguagens:Eu conto estas histórias com uma permanente sensação de admiração que o tempo e a idade não alteraram.

Em 2007, quando a Sutil completa 15 anos de carreira, Felipe Hirsh ainda tem seus traços de menino encantado com sua própria arte. Depois de ontem, posso garantir: não é só ele.

 



Escrito por Vanessa às 08h53
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Parabéns

Ela é fofa. Não do jeito que você está acostumado a encarar uma pessoa fofa. Digamos assim que ela seja pessimista, tenha seus momentos de mau-humor catastrófico, mas de um modo adorável.

Conheci ano passado, meio acaso, meio coincidência de amigos. Mas ainda acredito que ela é daquelas pessoas que eu deveria encontrar em algum lugar, porque ela se parece muito com as pessoas que eu gosto de encontrar em algum lugar.

É inteligente demais, sem saber que é. Todo mundo que já a conheceu na minha frente, comentou depois: "Ela é bonita, né?". Mas ela nem desconfia. Adora um grupo de Liverpool, mas de um modo que a faz especial. Compartilhamos um posto de gasolina e uma escola de bruxaria.

Porque está no top dez da minha lista, ela merece um post, com todo carinho.



Escrito por Vanessa às 18h27
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