Maratona
maquiavel, principe, locke, paris hilton, questões para o relatório, poética, aristóteles, american idol, macbeth, odisséia, apostila de cultura brasileira, grey's anatomy, metade da apostila de cultura brasileira, dogville, produto editorial, antônio cândido, textos de intervenção, mais antônio cândido, muito antônio cândido - que ele faz meu dia valer mais a pena -, texto na TV, a história do telejornal, um pouquinho de arctic monkeys que ninguém é de ferro, e pudim, pra fechar com chave de ouro.
E tudo isto antes da meia-noite, que amanhã tem mais, e ser estagiário enquanto cursa a faculdade não é tarefa para qualquer um.
Escrito por Vanessa às 00h21
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Not Just Anybody
Ele conheceu os Beatles em 1963, um ano antes do grande estouro mundial. Tinha 14 anos, e nunca havia ouvido nada parecido. Desembestou atrás de novas músicas, novos sons, novos ritmos que lembrassem aquele vinil fascinante. Aprendeu inglês para entender os garotos de Liverpool, passou tardes e tardes arranhando a guitarra para imitar os acordes.
Em outubro de 1980, quase vinte anos depois, foi para Londres conhecer John Lennon. Acampando na portaria de seu prédio, conseguiu deixar um presente para o ídolo: um vinil com uma dedicatória na capa que dizia "Os Reis do Iê-iê-iê". No dia seguinte, voltou para tentar se aproximar de John e ficou sabendo que seu presente foi apreciado. Depois de alguns minutos de conversa, conseguiu o que queria tanto: trocar algumas palavras com o ex-Beatles.
Ao lado do ídolo, o mundo parou. Uma pergunta: "Qual é a nossa música que você mais gosta?". Dois dias depois, recebeu um agradecimento pelo presente: o disco de ouro de "She Loves You", com um bilhete do secretário de John. "Ele pediu para te entregar porque achou que ficaria melhor nas suas mãos do que nas dele."
Fim da entrevista. Na livraria do shopping, minutos antes do show de uma banda cover que já tem quase 30 anos, entendi porque algumas coisas valem tão a pena.

Escrito por Vanessa às 22h03
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Um brinde a falta de crase
Passo o dia tendo boas idéias. Pelo menos é essa a impressão que eu tenho sempre que sento para escrever no Vida En-Cena, lugar onde a pauta já era e a vanguarda exige textos engraçadinhos sobre o cotidiano espertinho e sofisticado das grandes cidades.
É sentar em frente ao computador que vem aquela sensação: "Nossa, mas eu tinha pensado numa coisa tão legal! Como era mesmo o assunto daquele texto que eu queria escrever? Ia dar uma crônica maravilhosa!" Pois é, IA. Não vai mais porque eu insisto em não tomar a cartilagem de tubarão da Cátia Fonsêca, e, portanto, não tenho memória para guardar as boas idéias.
Existir no mundo virtual dá um certo trabalho e, é claro, manter uma boa imagem blogueira não é tarefa para qualquer um. Talento é o de menos, é preciso suor, dedicação. Alguns mandamentos são indispensáveis. Nunca escreva sobre temas ridículos, não roube tema alheio e não erre crases - a não ser propositalmente, de um jeito que sugira uma atitude blasè, despojada. A falta de vírgula no lugar certo precisa dizer ao leitor: "Olá, eu subverto as regras do português porque sou cool." Meu sonho é conseguir chegar a esse ponto.
Por enquanto, só escrevo. Um dia, quem sabe, dominarei o mundo através do meu blog. As pessoas ficarão viciadas em meus textos, e ligarão o mau uso da crase ao nome Vanessa Medeiros. Cogitarão ser um pseudônimo, já que é difícil alguém tão cult sair dando o ar da graça em qualquer realidade cibernética. Serei conhecida como o Saramago das crases. Ele engoliu as virgulas, eu dei meu ar cool às crases. Mas sem o óculos nerd, claro.
Última dica: muito texto é sem-graça, monótono, entediante, chatérrimo mesmo. A cada três ou quatro posts coloque uma figura. Colorida, de preferência. Se não der pra reconhecer o objeto nela contido, melhor ainda. E observe os comentários: todos vão fingir que entenderam sua intenção. Dê mais atenção aos que não fingem.

Este é Paulo Coelho. Ele não sabe o que é crase.
Escrito por Vanessa às 23h42
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Notas sobre um escândalo
Sair de um filme direto para um texto é complicado. Mas, como Notas sobre um escândalo é uma fita essencialmente impressionista, cheia de informações impactantes, acho interessante traçar uma análie no calor do momento.
Em uma escola americana, uma professora de arte chega para mudar as relações cotidianas que permeiam o círculo social que dela depende. Sheba Hart (Cate Blanchett) conquista a confiança e a amizade de Barbara (Judi Dench), sua colega de trabalho em vias de se aposentar. A velha senhora passa a tratá-la com carinho e certa obssessão. Em dado momento, Bar descobre que sua nova amiga está tendo um caso com Steven, um aluno de apenas 15 anos.
Notas sobre um escândalo é uma história sobre intimidades, narrada pelos escritos diários de Barbara. Solitária, a mulher não tem outros meio para desabafar suas angústias e impulsos. Sheba, a loira simples e atraente de Blanchett, tem marido e filhos, mas não parece mais à vontade em seu mundo.
Com um trunfo na manga, Barbara começa a chantagear emocionalmente a amiga, que cede aos apelos incessantes do crime moral representado por seus atos. Aparecendo como defensora dos bons costumes, a chantagista condena em Sheba os erros que enxerga em si mesma. Luta contra os crimes de Sheba, para que ela possa cometer outros que agradem mais à velha senhora.
No geral, Notas é um longa carregado de questões morais. Mesmo se desviando de julgamentos mais conservadores, o diretor Richard Eyre não consegue escapar a uma sentença. Condena atos que não cabem a ele julgar. Segue uma linha moral que absolve a fantasia e condena a realidade. Enquanto atitudes ainda se encontram no plano das idéias, são perfeitamente aceitáveis. Ao realizá-las, o ato se torna um crime. Richard Eyre, portanto, apenas reforça o que o mundo já considera correto. Sem garndes ousadias.
Escrito por Vanessa às 16h43
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Prêmio Shell de Teatro
As surpresas vêm com a decepção de Inocência, que não ganhou nenhum dos três prêmios a que estava indicado. Os Sertões também saiu de mãos vazias, mas isto já era esperado. Enfim, a lista está bastante estranha, mas todos os espetáculos mereceram seus prêmios. (Da Folha de S.Paulo)
Autor: - Sérgio Roveri, por "Abre As Asas Sobre Nós" - Bernardo Carvalho, por "BR3" - Luis Alberto Abreu, por "Memória das Coisas"
Diretor: - Antunes Filho, por "A Pedra do Reino" - Rodolfo García Vázquez, por "Inocência" - André Garolli, por "Rumo à Cardiff" - Antonio Araújo, por "BR3"
Ator: - Marat Descartes, por "Primeiro Amor" - Lee Thalor, por "A Pedra do Reino" - Antonio Edson, por "Um homem é um homem" - Cássio Scapin, por "Quando Nietzsche chorou" - Otávio Martins, por "A noite antes da floresta"
Atriz: - Cris Rocha, por "Ferro em Brasa" - Selma Egrei, por "Senhora Macbeth" "Senhora Macbeth" - Vera Lamy, por "Nonada" "Nonada" - Fabiana Gugli, "Terra em Trânsito" - Georgette Fadel, "Gota D'água - Breviário" - Magali Biff, "Esperando Godot"
Cenário: - Cia. Atelier Estúdio de Arte La Tintota, por "Cachorro" - Cia. Triptal, por "Rumo à Cardiff" - Fabio Lupo e Marcio Maffei, por "Inocência" - Márcio Medina, por "BR3" - Osvaldo Gabrielli, por "Os Sertões - A Luta - Parte II"
Figurino: - André Cortez, por "Peça de Elevador" - Cássio Brasil e Verônica Julian, por "Ricardo III" - Daniela Thomas, Eliana Liu e Verônica Julian, por "O Avarento" - Juliana Fernandes, por "A Pedra do Reino"
Iluminação: - Domingos Quintiliano, por "A noite Antes da Floresta" - Guilherme Bonfanti, por "BR3" - Guilherme Bonfanti, por "Timão de Atenas" - Lenise Pinheiro, por "Inocência"
Música: - Alessandro Penezzi, por "Gota D'água - Breviário" - André Luis Lima, por "Rumo à Cardiff" - Babaya e Marcello Boffa, por "Leonce e Lena" - Ernani Maletta, por "Um Homem é um Homem" - Eugenio Lima, por "Frátria Amada" - Fernanda Maia, por "R&J"
Categoria especial: - Cia. Os Fofos Encenam, pela pesquisa de circo-teatro no espetáculo "Ferro em Brasa" - Eduardo Agni, Thiago Antunes, Lucia Gayotto, Bete Dorgam e Ricardo Rizzo, pela preparação de atores de "Zona de Guerra" - Eliana Monteiro, pela Direção de Cena de BR3 (Planejamento, decupagem, ensaios e coordenação de todos os deslocamentos de atores, técnicos e elementos de contra-regragem durante o espetáculo) - Teatro da Vertigem, pelo projeto "BR3"
Escrito por Vanessa às 10h25
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O que se aprende em uma coletiva da Record
Trinta e cinco jornalistas em cima da Karina Bacchi. Não, não tão em cima. Bloquinhos, canetas, câmeras fotográficas e nenhum bom senso. O que eu descobri em minha primeira cobertura de impresa:
1. Fotógrafos são pessoas legais. Jornalistas também. E só. O resto é um monte de gente tentando aparecer pra você.
2. Eu odeio repórter de TV. Eles não têm a mínima noção de que você também tem que voltar com a matéria pra casa. Três redatores de impresso ainda estão voltando do coma por causa da câmera que levaram na cabeça.
3. Em coletivas, fontes são as pessoas mais gentis que você pode conhecer. Em coletivas.
4. Tudo pode dar errado. E vai dar. A entrevista, que estava marcada para às 8, começa às 9. As fontes só chegam às 10. E você só consegue falar com elas às 10 e meia.
5. É a coisa mais fácil do mundo reconhecer um jornalista. Eles são seres de outro mundo.
Escrito por Vanessa às 11h53
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Lady Macbeth
"Bem conheço as delícias de amar um tenro filho que se amamenta: embora! eu lhe arrancara as gengivas sem dente, ainda quando vendo-o sorrir para mim, o bico de meu seio, e esmagaria seu crânio sem piedade, se tivesse jurado assim fazer, como tu, Macbeth, juraste cumprir esta empreitada."
Lady Macbeth é o ícone de beleza e crueldade na literatura dramática de 5 séculos. Criada por Shakespeare por volta de 1510, esta personagem é, para mim, o verdadeiro sentido e poder da tragédia, senão a mais rica psicológicamente, a mais sangrenta e sombria das peças do gênio inglês da última fase do Renascimento.
Até hoje, circula uma lenda nos teatros de Londres que ficou conhecida no mundo interio: Macbeth é uma peça maldita. Não se fala seu nome perto de uma estréia e, segundo a crença, nenhuma montagem do texto foi concluída sem grandes prejuízos.
Lady Macbeth é má, manipuladora, um gêmio do crime. Seu marido, personagem homônimo da peça, mata o rei da Escócia por ter escutado de três bruxas que um dia viria a governar seu país. Sem paciência para esperar, resolve dar uma mãozinha para o destino. Mas a mente por trás de todas as ações é sua esposa maquiavélica. Cada cena do texto é marcado por sua presença sutil e determinante. As milhares de interpretações que pulam a cada leitura me faz manter uma paixão de dez anos com este texto.
Já li algumas vezes, assisti três versões cinematográficas e tenho minhas teorias. Mas isto fica para outra aula. Rosangela Petta que o diga.
Escrito por Vanessa às 23h18
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Inebriante
O espaço foi inteiro preenchido com seu perfume. Era uma menina-mulher, de seus 20 e poucos anos, cabelos longos soltos às costas, ruivos de um ruivo natural e inebriante. Tinha jeito, cheiro e olhar de garota.
Reconheci na hora. Mulher que já encontrei em outros palcos. Meu olhar a perseguiu, a conhecia de longa data. Nunca troquei uma palavra, um olhar, um sorriso. Ela não sabe que existo. Só a olhei de longe, mas sei que sua presença tem o poder de alargar os horizontes de quem sabe observar.
Ela desceu. Desci atrás. Fomos para o mesmo lugar, uma praça perdida no centro da cidade. Dez passos depois, ela partiu em disparada em direção à igreja, virou a curva e não a vi mais. Até a próxima apresentação. Como sempre, estarei na platéia.
Escrito por Vanessa às 17h58
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Meu perfil
BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, JARDIM LONDRINA, Mulher, de 20 a 25 anos, Portuguese, English, Arte e cultura, Livros MSN - vana_medeiros@msn.com
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