Requintes de crueldade
Depois de um almoço esclarecedor, o ônibus a caminho do trabalho, como sempre. Gritos do cobrador com uma velhinha que insistia que a passagem ainda era 2 reais.
Pensando no TCC: "Bom, eu podia fazer sobre Os Sertões, mas teria uma abordagem diferente de todos os outros trabalhos sobre o tema. Droga, se eu quiser fazer um trabalho muito foda, tenho que começar o mais rápido possível."
Plim. (lâmpada acesa em cima de mim) "E se eu fizesse a biografia do Zé Celso? Puta merda, o cara ainda não morreu."
Fiquei horas e horas me martirizando por ter matado em pensamento um dos monstros sagrados do teatro brasileiro. Entro pela porta da redação. A editora falando com a menina que trabalha comigo:
"E o Zé Celso? Você já ligou no Sírio Libanês?"
É, eu tenho uma boca maldita: http://estrelando.uol.com.br/interna/interna_12243.htm
Escrito por Vanessa às 16h29
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Porque eu estou num momento de citações
"O senhor sabe o que é silêncio? É a gente mesmo demais."
João Guimarães Rosa
Em um momento reflexão-no-ônibus-lotado.
Escrito por Vanessa às 19h13
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Sendo poeta
"Sendo poeta, ele vive de caso com a língua, fuçando-lhe os segredos."
Revista Piauí nº2.
Estou fuçando cada texto. De caso com a língua, quero escrever assim quando crescer.
Torçam por mim.
Escrito por Vanessa às 21h14
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Entrevista - A Missão
Quem quiser conferir o resultado do post abaixo, entrou no site de Cultura Geral da Cásper Líbero, hoje, uma crítica sobre a peça:
http://www.facasper.com.br/cultura/site/critica.php?tabela=&id=79
Deixem suas impressões.
Escrito por Vanessa às 22h24
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Entrevista
O teatro abria às 8. Cheguei às 8 e 15. Precisava mesmo fazer uma crítica sobre Prego na Testa, por isso encarei a Roosevelt numa quarta-feira à noite, depois de 6 horas de trabalho e 4 de faculdade.
Não me arrependi. Tem tanta força naquele espetáculo que eu me surpreendi com o talento de um ator que eu nunca tinha visto no palco: Hugo Possolo. O cara é o máximo. Domina a platéia do começo ao fim. E as sátiras são inteligentes, muito bem costuradas por Aimar Labaki.
Saí fã. Do entrevistado atencioso e do ator talentosíssimo.
Escrito por Vanessa às 11h10
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Vida de jornalista
Seis entrevistas que viraram sete. Em apenas 3 horas.
Eu acho que gastei mais tempo no telefone agora do que nas últimas 4 semanas.
Mas, bicho idiota, o jornalista pode estar faminto, cansado, com a vista embaçada e revoltado com todos os outros aspectos da sua vida.
Mas o sorriso tá de orelha a orelha.
Só quem já passou por isso sabe a felicidade que é entrevistar uma pessoa que você admira pra caramba, sem gaguejar, tossir, passar vergonhas variadas, e ainda sair com a sensação de que ela é a melhor fonte do mundo. Bom demais.
Escrito por Vanessa às 22h46
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A parte 1
Página 49. Eu abri o livro e me olhei. Eu estava ali. Vanessa Medeiros. Histórias de Uma Observação Itinerante.
A coletânea de crônicas de novos autores foi editada pela Andross. São vários escritores, de idades muito diferentes e os estilos mais diversos possíveis. Como tema, só a crônica.
Eu escrevi a que foi para o livro com 17 anos, no começo deste blog aqui. Mandei para a Andross porque queria que alguém aprovasse. Não acreditava que isso aconteceria, mas meu amigo já tinha me mandado o link da inscrição, mesmo. Não custa nada tentar.
Quem quiser, fale comigo. "Literatura Crônica". Désrreal. Uma pechincha.
Página 49.
Escrito por Vanessa às 19h00
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Mais de um eu
Abri meu bloquinho de anotações. Eu ganhei meu fiel aliado há uns três anos, quando eu ainda era uma colegial metida a besta. Em uma folha perdida, minha letra:
"Onde você estava hoje, hein? A gente precisa se falar! Me Liga! Manda mensagem, sinal de fumaça, qualquer coisa!"
Só isso. Não sei pra quem escrevi, porque escrevi, porque não entreguei. Tenho dúvidas sobre múltiplas personalidades.
Escrito por Vanessa às 17h38
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Histórias de uma Observação Itinerante - parte 3
Ela estava no ponto de ônibus. E eu deixei passar o nome dela. Sorriso tão, tão triste.
Quarenta anos, franzina, óculos de aros grossos, jeito mãezona, sem alguns dentes. Ao seu lado, uma menina de seus 16 anos, sua filha, quem sabe, eu não.
Uma senhora bem daquelas que puxam papo em qualquer lugar. Mas dessa vez o papo não era sobre amenidades do tempo. A senhora tascou, logo de supetão, sem desassossegos.
_Eu tive doença quando fiquei grávida. Aí tomei antibióticos. Perdi todos os dentes mas meu filho nasceu com saúde. É o que importa, né?
Silêncio. O que você responderia? Eu, sinceramente, fiquei meio sem palavras.
Escrito por Vanessa às 19h24
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Mórbido
Porta do cemitério da Consolação. Eu e uma amiga. Medo de entrar. Odeio ambientes sinistros e tenho medo da melancolia, ela me faz pensar na vida.
Por entre as lápides enormes, o mausoléu da Polícia Militar e o túmulo da Cacilda Becker. Ela morreu no palco, o que me faz sentir a vida um pouco menos medíocre.
"Eras grande demais para viver nesta terra". O ritual da morte pode ser tão assustador quanto a perspectiva da perda.
Escrito por Vanessa às 13h09
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Homenagem
Pra uma pessoa bem, bem bacana.

Foi um dia especial.
Escrito por Vanessa às 19h10
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Histórias de uma Observação Itinerante - parte II
um dois três já... Salve o tricolor paulista...
Noite de quarta-feira. Mais são-paulinos do que gente por metro quadrado. Atravessar a ponte do Morumbi em dia de jogo é quase um épico. Em uma lotação, então, é um épico no deserto. Sem oásis.
O nome dela era Dona Mafalda. Conheci-a na tal lotação. Eu estou sentada na cadeira dos velhinhos, deficientes e afins. Entra uma senhora de uns 70 anos, bem gorda. Ela tenta se enfiar no meio daquele aglomerado todo. O garoto que está na cadeira ao meu lado se levanta e, gentilmente, cede o lugar para a velhinha. Ela chega arrasando:
"ô, meu Deus! Será que cabo aqui? O resto emagreceu, mas a Bunda ainda tá goooooorda!"
Todo mundo ri, o que fazer? Maiores movimentos de aceitação eram fisicamente impossíveis. Aquele monte de são-paulinos cantando o hino do time, aumentando o volume enquanto nos aproximávamos do estádio. E Dona Mafalda acompanhava: " Meu filho é são-paulino sabe? E vc? vai ao jogo?" (você sou eu). "Ah! Não, Dona Mafalda! Tô indo pra casa. Acabei de voltar do trabalho!" E ela não se fez de rogada: "A vida é curta minha filha! Olha quanto homem gostoso nessa lotação. Se eu fosse você pegava um deles e ia pular na arquibancada!"
Olhei em volta. Decepção. A velhinha devia estar sem óculos. A juba enorme e loira não deixava espaço para tais luxos no rosto de Dona Mafalda. Ela também estava voltando do trabalho. Era manicure desde adolescente. A mãe não aceitava o destino. Repetira até a morte que queria ter uma filha parteira. "É uma profissão muito bonita. E dá dinheiro porque nasce criança toda hora. Mesmo as madama não fazem a unha toda hora."
A velhinha tem uma lógica desconcertante.
Ps: O São paulo ganhou do Botafogo por dois a um naquela noite. Será que Dona Mafalda comemorou?
Escrito por Vanessa às 15h06
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De luxo
Ele não sabia o que fazer. Sempre que olhava para ela, as mãos tremiam, o cérebro parava momentaneamente de funcionar, a vida como que dava um salto no tempo. Era ela, sua alma estava ali. Bem no fundo daquele café, sentada na mesa, fumando. A cigarrilha ficava bem em suas mãos, quase erótica.
O ambiente de um luxo ostensivo, elegantes senhores de gravata, ela de vestidinho preto básico, mas nem tão básico assim. Pára a música. Era Moon River. Seu coração pára com a melodia. Ele olha de novo a capa do DVD e se emociona. At Tiffany's.
Escrito por Vanessa às 23h36
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Horário
Estou meio que assim de ressaca.
O horário de verão provoca estranhas reações no meu horário biológico. Tô dormindo até agora.
Escrito por Vanessa às 13h31
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Era digital
Chegando em casa, recebo uma surpresa. Um computador novinho em folha. Mas isso é o de menos, tecnologia é coisa pra gente que tem tempo. O melhor mesmo é outra coisa.
O tal do PC tem gravador de DVD. Atenção produtoras do mundo, cheguei na era da pirataria alucinada. Tudo o que eu vou fazer no meu tempo livre dos próximos seis meses (cerca de uma hora e meia a duas) será alugar DVDs na biblioteca da Cásper e pirateá-los no meu computador. Terei todos os Harry Poter, os Fellini, Amelie Poulain, Audrey Hepburn, Chaplin e Brilho Eterno. Com o perdão dos deuses por ter colocado Harry Potter e Fellini na mesma lista, claro.

Hogwarts, aqui vou eu!
Escrito por Vanessa às 21h29
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Meu perfil
BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, JARDIM LONDRINA, Mulher, de 20 a 25 anos, Portuguese, English, Arte e cultura, Livros MSN - vana_medeiros@msn.com
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