Happy Haloween
Anos atrás. Crianças correndo na rua. E eu, um pigmeuzinho fofo, tentando acompanhar.
_Peraí. A gente vai de casa em casa pegando doces?
_É.
_ E a gente pode fazer travessuras se não derem os doces?
_É.
_E eles dão todo o doce que a gente pedir?
_É.
_Mesmo se eu quiser um chocolatão, ão, ão?
_É.
Me descontrolei com a passsividade da critatura.
_ E por que droga a gente só faz essa merda uma vez por ano????
Silêncio. Até hoje as crianças do bairro me olham torto.
Escrito por Vanessa às 18h42
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Blogando
Quer fazer as horas na internet valerem a pena? Escape da ditadura UOL Notícias e respire um pouco:
http://www.eraodito.blogspot.com/
Blog do Marcelino Freire que, além de maravilhoso, tem links pra blogs essenciais.
Escrito por Vanessa às 09h35
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Amanhã
Pelo voto nulo é uma campanha que não faz muito sentido pra mim. Acho que votar nulo não é dizer "nenhum dos dois" nem "eu não sei", mas "tô fugindo" ou "vocês que decidam". Opinião-minha-sei-lá-me-respeitem.
Por isso vou votar. Em alguém, não cabe a mim dizer quem, jornalista não declara voto. Só posso dizer que não legitimo corrupção, mas também não quero ninguém que governe pra um gueto distante. Tive que baleancear as duas coisas pra sair algo que presta.
(Jornalista não declara voto, né? Que pena que as grandes revistas e jornais não sabem disso. Seria um processo mais limpo e menos "um por todos e todos por um".)
É amanhã, né? Dê uma olhada no programa de governo deles, pelo menos. Se alguém fizer isso eu vou achar que essa eleição foi ganha pelo mérito de um presidenciável, e não pelo candidato que errou menos. Ou que errou onde dói menos.
Amanhã é a batalha do eleitor que só sabe pensar no imediato - porque não pode esperar pelo futuro - e o eleitor que sempre buscou uma desculpa pra esquecer o outro lado do Brasil.
Que ganhe o melhor.
Escrito por Vanessa às 16h59
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Triste
Eu não acredito mais no amor.
http://estrelando.uol.com.br/interna/interna_11630.htm
Ser cult enjoa. Entregue-se ao mundo das fofocas um ou dois minutos por dia. Isso pega. É instinto, minha filha. Juro, queridinha. Saiu naquela revistinha outro dia. Aquela, bem. Como chama mesmo que eu num sei. Ah, te empresto um dia desses, amore.
Não disse?
Escrito por Vanessa às 16h41
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Eldorado
Realmente, eu tenho vocação pra ser pobre. Adoro um sebo. Posso ficar horas e mais horas e mais horas me divertindo em um desses centros de lazer do acadêmico miserável.
Comecei a trabalhar há umas 2 semanas. No caminho, várias lojinhas, um Pão-de-açúcar, duas padarias. E Ele. Sim, Ele, o Onipotente. Num quartinho de, no máximo, 30 metros quadrados, dezenas de livros empoeirados, uns sobre os outros. Um Eldorado a ser descoberto.
Há alguns dias venho namorando a seção de teatro. São quatro prateleiras dedicadas só a isso. Eu respeito, acima de tudo, um sebo que tem a seção de teatro. Os preços, honrando minha vocação pra pedinte, variam de 8 a 20 reais. O céu desceu ao Brooklin.
Passei hoje na salinha paradisíaca e fui direto ao ponto onde eu já sabia que meu livro estava. Uma edição dos anos 70 com duas peças do Guarnieri: Botequim e Um Grito Parado no Ar, uma de minhas preferidas. Ai, ai, ganhei o dia. Como jornalista pobre é idiota, não?
Escrito por Vanessa às 21h55
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Utilidade Pública
De uma vida severina
Ela passou quase 500 dias atrás de boas reportagens. Rebeca Kritsch era uma jovem repórter do jornal O Estado de São Paulo quando foi convidada pelo seu editor, Antônio Pimenta Neves, para uma viagem inusitada. Ela percorreria os confins do Brasil atrás de personagens, histórias, estradas viáveis, pratos de comida, hotéis habitáveis. Trabalho para quem possui faro jornalístico e não coloca o conforto da redação entre suas prioridades. Enfim, uma boa repórter.
Nas páginas de Redescobrindo o Brasil, o livro que teve origem nesta aventura, um novo horizonte se abre. Entre contos de terra, de índio, de passado e futuro, a História. Rebeca transcreve o país das diferenças, esmiuçado e engrandecido. Dá cara a um povo brasileiro que abre as portas de suas casas e nos deixa entrar sem cerimônias.
Os moradores de Mumbuca, por exemplo, um povoado de dez casas no norte do Tocantins, nunca viram uma televisão. Os mais de cem habitantes vivem de agricultura de subsistência e não são adeptos de alguns luxos da vida moderna, como luz elétrica e água encanada. Informações só através do radinho de pilha de dona Guilhermina, uma das matriarcas da cidadela.
Mas nem por isso eles pensam em se mudar para um lugar mais próximo, digamos, do século XXI. “Pra sair tem que sair bem, senão a gente fica na casa da gente mesmo”, disse Antônia, irmã de Guilhermina.
Em outro ponto remoto, em Laranjal do Jarí, no Amapá, as crianças não sabem o que é brincar na rua. Isto porque as casas ficam em palafitas sobre um esgoto a céu aberto. Quando a água baixa, elas se divertem no cheiro fétido do lixo que é despejado por ali. E sempre com uma ressalva: tomar cuidado com o terçado, uma espécie de facão que os adolescentes, divididos em gangues, usam para matar ou mutilar uns aos outros.
Rebeca conta suas histórias com ar de descobridora. Ela embarcou nesta viagem para o tudo ou nada, com a garra que um repórter precisa e a coragem que poucos têm. Como a autora diz na conclusão da obra, foi nesta viagem que ela aprendeu a respeitar cada lugar deste Brasil, porque todos eles são o lar de alguém. Apesar de, por vez ou outra, pecar no texto e tornar a leitura um pouco truncada e indigesta, a experiência literária vale a pena.
Como companheira de viagem, Rebeca levou a labradora que a acompanhou na maior parte do tempo. Por uma feliz ironia, a cachorra leva o nome Severina, como o poema de João Cabral. Passeando pelas agruras de uma vida brasileira e severina, a repórter conseguiu dar suas lições de reportagem e de humanidade. Afinal, como já tão bem definia o poeta: “E não há melhor resposta que o espetáculo da vida: mesmo quando é a explosão de uma vida severina.”
Escrito por Vanessa às 20h23
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Lar
"Embora não tivessem os confortos da vida moderna, como luz e água encanada, eram poucos os que saíam dali. 'Nunca pensei em mudar', disse Antônia. 'Pra sair tem que sair bem, senão fica na casa da gente mesmo.' Antônia já contribuíra com três filhos para o futuro do povoado."
Redescobrindo o Brasil, Rebeca Kritsch
Ps: o livro é ruim, mas vale muito a pena pelas histórias de gente tão esquecida.
Escrito por Vanessa às 10h26
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Amostra Internacional
Na última sexta-feira, eu comprei o jornal assim que coloquei os pés pra fora do ônibus. Enquanto andava na garoa cinzenta e fria da Paulista, desembrulhava o pacote com cuidado pra não molhar nenhuma folha. No meio dos cadernos, encontrei o que eu queria. O Guia cultural, lógico. Porque toda Pô é metida-a-cult.
Abri o guia antes do farol. Fui voraz à sessão de cinema. Pequena Miss Sunshine, um filme alemão como sempre, um francês e um blockbuster imbecil e necessário. Mais nenhuma novidade. Desespero total. Cadê, cadê? De repente, ele cai. Um guia inteirinho especial Mostra de Cinema. Tão lindo, tão fofo, com um papel tão bonitinho... Feito pra elite achar uma graça. Eu, pra não contrariar, achei.
Dentro, um outro mundo. Homenagens a autores brasileiros, John, Joaquim Pedro de Andrade, clássicos, Buñuel sem Deneuve, Altman menor mas ainda Altman. No meio disso tudo, Almodóvar. Com Penélope Cruz mas ainda Almodóvar.
Meus dias até 2 de novembro serão povoados de fantasmas e maravilhas da sétima arte.
Escrito por Vanessa às 13h59
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Mundo cão

Eu já estava torcendo pro Schumacher. Ainda mais agora que esse cachorrinho animou meu domingo regado a trabalhos da faculdade e leituras obrigatórias...
Escrito por Vanessa às 13h51
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Poletrária cansada.
..
...
....
fora do ar.
..
...
....
Acho que vou pro bar.
Escrito por Vanessa às 18h45
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E as propostas?
Debate político não dá uma vontade enorme de bater nos candidatos?

E eu odeio a Ana Paula Padrão.
Escrito por Vanessa às 22h21
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Política Monetária, blá, blá, blá.
Sem tempo pra ler.
Sem tempo pra escrever.
Sem tempo pra faculdade.
Sem tempo pra ir ao teatro.
Horóscopo de hoje: Estabeleça prioridades. Pare, respire fundo e tente organizar melhor sua vida. Dê um jeito para que você fique sem tempo apenas para a aula de Economia. Depois disso, tudo irá se ajeitar.
Escrito por Vanessa às 08h52
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Mulheres à beira de um ataque de nervos
Amiga da redatora em surto de criatividade. Ela definiu brilhantemente o comportamento covarde de alguns espécimes masculinos:
_Mas, por que você está tão brava? O que ele fez pra vc?
_Simples: Ele me seduziu e não me fodeu!
Realmente, muito simples...
Escrito por Vanessa às 11h01
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caindo
Supresa é quando você tem um preconceito e ele se revela a pior besteira do mundo, de repente. É incrível como a gente tem uma idéia idiota de certas pessoas e descobre que elas são completamente diferentes, que são muito interessantes, dvertidas, ou que, no mínimo, prestam pra alguma coisa.
Odeio quando minhas expectativas me frustram. Fico meio sem chão.
Crítica de "A História do Brasil segundo Ernesto Varela - Como Chegamos Aqui?", no site de Cultura Geral da Cásper. Da redação do Vida En-Cena:
http://www.facasper.com.br/cultura/site/critica.php?tabela=&id=73
Escrito por Vanessa às 10h43
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Over
O ônibus estava lotado, como sempre. Ela foi espremida até o ponto do seu bairro. Distante 10 minutos de sua casa, uma boa caminhada. Ao chegar no topo da ladeira, suspirou. Girou a chave no portão, sorriu mecanicamente para a amiga gordinha que veio lhe saudar, que latiu simpaticamente e se recolheu.
Subiu as escadas, passou por sua irmã na sala do computador, comentou qualquer coisa de um texto de poesias e crianças. Subiu um novo lance de escadas, se atirou no chuveiro. Colocou um moletom, uma camiseta velha. Durmiu infinitamente.
A semana de provas acabou.
Escrito por Vanessa às 09h05
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De um preconceito ridículo e imundo

No sábado eu fui assistir à primeira parte das cinco peças que formam o conjunto "Os Sertões", do polêmico Zé Celso e sua turma do Oficina.
Fazia um tempo que estavam me convidando pra assistir ao espetáculo. Depois de tanto falarem resolvi que era hora de ceder, mas sem grandes expectativas. Eu sabia que o que seria visto ali era diferente e muito bom. Mas o que eu vi foi muito mais do que isso.
Durante quatro horas eu fui inteiramente sugada pela energia fantástica dos quase quarenta atores do Oficina. O Uzyna Uzona se transformou em uma realidade paralela, um intermediário entre um teatro e a minha alma, o canto mais alegre e verdadeiro da minha alma. Nunca entendi tão bem o significado da palavra catarse.
As quatro horas me passaram em pouco menos de trinta minutos. Passei quase que o tempo todo dentro de um palco que eu não queria - e continuo não querendo até agora - deixar mais.
E não vou. As conquistas que aconteceram no palco, os encontros com uma realidade fantasiosa e magnífica ficam sempre por aqui, me rodeando, como a música que gruda, escancara uma parte escondida de mim e me mostra pro mundo, nas vozes do Oficina.
"Meu cavalo tá pesado, meu cavalo quer voar. Atuar, atuar, atuar pra poder voar."
Escrito por Vanessa às 17h38
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Meu perfil
BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, JARDIM LONDRINA, Mulher, de 20 a 25 anos, Portuguese, English, Arte e cultura, Livros MSN - vana_medeiros@msn.com
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