Vertigens
O Teatro da Vertigem já havia me despertado grande interesse, mesmo sem idade pra ter acompanhado a Trilogia Bíblica que fez o grupo ganhar prestígio e respeito em todo o país (e até mesmo no exterior). Quando estreou BR3, fiquei desesperada atrás de um ingresso. Mas a concorrência é tão grande que estou tentando comprar um há três semanas.
Eu tive o prazer de ir a um bate-papo com o diretor do grupo, Antônio Araújo, ontem à noite na FIESP. O resultado foi uma inquietação tremenda. Eu PRECISO ver essa peça.
Antônio Araújo é tudo o que se espera do diretor de um grupo como o Vertigem. Calmo, de voz macia e fluida, boa dicção e um ótimo talento para contar histórias. Não conquista pelo tema, mas pela forma do que diz. Suas palavras saem sempre com uma marca, um jeito seu de entender as coisas. Peculiar, natural e interessante como o grupo que criou.
Uma Igreja, um presídio, um hostpital e o rio mais poluído do Estado de São Paulo. Quando o Teatro da Vertigem entra em cena, o palco não é apenas um palco. Não mais. Ele é parte de uma mensagem, que se completa com as várias etapas do processo teatral. Um dos grupos que mais agitam a cena teatral de São Paulo nesta temporada é detentor de um repertório de 4 peças em mais de 14 anos de carreira. Cada uma delas em um lugar mais inusitado. É a idéia de fazer intervenções urbanas que modifiquem a rotina da cidade de algum jeito.
Nos últimos meses, não se fala de outra coisa no meio teatral. O Vertigem conseguiu atrair todas as atenções para uma peça que reuniu 18 profissionais em um projeto com 2 anos e 3 meses de duração. O ponto de partida é a construção de uma identidade nacional, ou a inexistência desta. Uma migrante dos cafundós deste mundão de Brasil, com uma trouxa nas costas, faz uma viagem descobrindo uma terra estranha, num trajeto que sai de Brasilândia, em São Paulo, passa por Brasília e vai culminar no acre, na cidade de Brasiléia, fronteira com a Bolívia. Três lugares que simbolizam, de algum modo, a falta de identidade, a pseudo identidade e a identidade conturbada.
As montagens do Vertigem são sempre muito difíceis. Em Paraíso Perdido, na Igreja da Santa Efigênia, no Centro, Antônio chegou a receber ameaças de morte por profanar um lugar sagrado. No BR3, eles trabalharam meses com a relutância da equipe do rio para liberar o espaço para ensaios, tiveram que tomar um coquetel de vacinas estranhíssimas, tomam um antibiótico por semana, atuam acompanhados de uma equipe de bombeiros e com coletes salva-vidas. Obrigada pelo esforço. Só por ter lido os textos da Trilogia Bíblica, já deu pra entender o gabarito deste trabalho.

Escrito por Vanessa às 15h52
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Nota 0
Quando existia a chamada "semana de provas", a gente reclamava pra caramba. Dizia que era muita coisa pra uma semana só, que o mundo era injusto, que o petróleo tava muito alto. Ouviram a gente. Nem tudo, o petróleo aumentou, mas a semana de prova foi diluída e agora os professores podem marcar avaliações no dia em que acharem melhor.
Se adiantou? Eles acharam que assim dava pra dar mais prova. Resultado: tô correndo contra o tempo. No pior sentido desse clichê horrível.
Escrito por Vanessa às 16h52
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Centrão
Pra começar, esse é um lugar daqueles que você tem que visitar. A todo custo. Já me deparei com uma pessoa que nunca havia ido à Pinacoteca, não quero ter o desgosto de conhecer alguém que nunca visitou o centro velho. Vá, e passe no Centro Cultural Banco do Brasil.
As exposições sempre são muito boas, a exemplo das duas últimas (Antes, a história da Pré-História e Erótica). Nessa semana eu voltei nesse lugar inspirador que é o centrão pra particpar de um evento muito bacana com mediação do Marcelo Rubens Paiva, ídolo de tempos áureos. Cronicamente Viável é um circuito de debates que colocam a crônica no centro da discussão. A cada mês, dois convidados falam sobre o tema escolhido. Em abril, o assunto em pauta foi crônica e jornalismo. Leiam a matéria:
http://www.facasper.com.br/jo/noticias.php?tb_jo=&id_noticias=682
Beijos a todos!
Escrito por Vanessa às 20h12
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Charadinhas
O que é, o que é...
O que é que a gente faz quando tem que resenhar um livro pro dia seguinte, tá de saco cheio do mundo e tem a perspectiva de uma odiosa semana pela frente?
R: Google! Se Descartes realmente pensar, e logo existir, google it! (não sei traduzir esse neologismo estranho. Googlar? googar? uau. que medo.)
Escrito por Vanessa às 20h00
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Metamorfoses
Quando eu estava no terceiro colegial, nem imaginava que ia ser jornalista. Queria os palcos, amava os palcos, só sabia os palcos. Ou nem isso. Aí a vida me levou pra longe deles. Sempre amei escrever, passava tempos fazendo textos para serem publicados em lugar nenhum. Aí decidi que ia prestar jornalismo. Quem sabe eu gostasse muito disso.
Comecei a faculdade me sentindo estranha, me levando a pensar que não era aquilo que me fazia mais, mais feliz do que o possível de cada um. O palco fazia, e era só nisso que eu pensava. Os tempos foram passando. Tempos pequenos de um pequenininho suado e maduro que virou grandão. Um ano pareceu uma década. Tive altos, altões e baixos, bem baixinhos nesse ano. Amei, amei ,amei o jornalismo e passei a odiá-lo com a força de três tornados. Queria palco, palco, palco.
Mas com passinhos bem mansos comecei a sentir aquele frio na barriga, passei a chamar letras de caracteres, telefone virou contato, gente que sabe virou fonte. Divagarinho virei jornalista.
Nas férias do primeiro ano desanimei com tudo. Mas na primeira semana de aula já percebi que felicidade era fonte, contato; gente, conhecer muita gente. Um professor, então, entrou na sala e me esclareceu tudo. Disse que o que a gente faz diferente de todo mundo é que nós sabemos transformar a realidade em texto. Como eu amo palavra, gente, palco, mundo, decidi transformar tudo num só. E agora nada me faz mais feliz.
Você pode achar estranho. Meu profesor chamaria isso de Illusio. Bourdieu também.
Escrito por Vanessa às 18h02
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Atenção, muita atenção!
Eu ganhei o primeiro ovo de Páscoa do ano!!!!!! O coelho oculto sagomense aconteceu neste sábado e reuniu mais de 13 pessoas de todas as localidades de São Paulo em um evento que procurou mostrar como o chocolate pode servir de desculpa para uma boa confraternização. Ou vice-versa.
E pra melhorar tudo, eu ganhei um ovo maciço, recheado de mousse de chocolate. Eu sei, morra de vontade, porque ele é inteirinho meu.
Mais um texto publicado!
http://www.facasper.com.br/cultura/site/filmes.php?tabela=&id=59
Beijos.
Escrito por Vanessa às 14h56
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Parodeando
Por Elisa Tozzi e Vanessa Medeiros
Pesquisadores acham 'travesti' de 1700 anos
Escavações em Catterick, no norte da Inglaterra, encontraram o esqueleto de um homem do século 4º a.c. (durante a dominação romana no país) que usava adornos femininos, entre eles um bracelete, um colar e uma tornozeleira. "Ele seria considerado um travesti durante sua vida e era provavelmente um 'gallus', um dos seguidores da deusa Cibele, que se castravam em honra dela", disse o arqueólogo Pete Wilson. Os sacerdotes da deusa usavam jóias, roupas femininas coloridas e cabelos compridos.
Bizarreamos a nota:
Estilo arco-íris: Bicha, você não tem idéia do babado! acharam lá na inglaterra - a terra do marido da nossa musa master, a Madonna - um bofe de 400 anos antes de Cristo! A biba tava toda arrumada, devia tá na noite, querida! Já pensou? Será que eles já tinham purpurina naquela época? Disseram que ele era uma drag seguidora de Cibele, a Deusa. Que glamour, querida, que glamour!
Estilo nordestino: Bixinho, tu não vai acreditar nessa história. Uns cabra do isterior discubriram um homi qui num era homi! Esses cabra afeminado ixistiam desde antes de Padim Ciço! Si vistia ingualzinho uma quenga e era capado. Esses desavergonhado vem di longe, oxente!
Estilo cartesiano: De acordo com o método racional científico filosófico estabelecido que prega etapas de raciocínio a seguir: 1) Partir do simples ao complexo; 2)Dividir tudo até a máxima clareza; 3) Não aceitar nada que não seja evidente; 4) Revisar tudo exaustivamente, cientistas provenientes do Reino unido, que têm apenas a certeza da dúvida, encontraram um esqueleto que pensava e logo existia. Esse esqueleto humano possuía características diversas - poderia ser considerado do sexo feminino. Não era perfeito, mas a perfeição encontra-se apenas em Deus, os humanos contentam-se com a dúvida.
Estilo Querida: Menina!! Tão fazendo o maior tititi por aí dizendo que acharam um carinha viado que existia um tempão atrás. Ele tava todo enfeitado, sabe aquele tipinho que você já conhece, metido a gostoso, sabe? Só que o problema é que desse jeito não sobra nenhum carinha cute pra gente! Imagina, desde aquela época...
Estilo Shakespeare: Ó tempestades que se abatem sobre tal alma atormentada! Horror e discórdia se espalham pelos corredores desta casa e se impregnam em tudo que lhes é oferecido! A ciência planta a semente de uma tragédia de 2 mil invernos. Um homem de vestes femininas foi encontrado sob os túmulos do Barão de Gandour. Acreditam, pobre Barão!, que o senhor era adepto de obscuras tarefas.
Escrito por Vanessa às 13h47
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Droga de prova!
Existem aulas e aulas. Quando você é aluno (e tem pique de universitário), você quer aulas. De verdade, eu não estou zoando da sua cara. Existe gente que realmente quer ter aula. E boa, de preferência.
O problenma é que nem todo professor pode ser considerado um especialista no assunto. Em compensação, existem outros que fazem você querer estudar muito. Meu professor de História da Arte é um desses casos. O de Comunicação é outro. O problema é que amanhã eu tenho uma prova de Economia e minha incompetência no assunto não ajuda muita coisa.
A prova vale 100% da nota deste bimestre. Me desejem boa sorte.
Escrito por Vanessa às 14h16
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17X Nelson - O Inferno de Todos Nós
"Tchau, seu Teleco!". Eram pouco mais de 5 da tarde de um domingo meio nublado. Os atores iam saindo da coxia e se despedindo com carinho do ex-palhaço que hoje é porteiro do Teatro Fábrica São Paulo, na Rua da Consolação. Wanderlei, mais conhecido como Teleco, nome de seu clown, já tem mais de 70 anos de vida, 50 de carreira. Já fez rádio, TV, teatro. Fez parte do elenco de um programa da Tupi, como gosta de lembrar.
Sua simpatia e seus pés inquietos que percorrem o saguão todo o tempo, não nos deixam esquecer a constante presença. Os olhos verdes têm um brilho bonito, especial, como se tudo começasse hoje. Como se a vida já não lhe tivesse tirado a inocência.
A peça começa no saguão. José Ferro e Marcos Ferraz levam a platéia para dentro do universo de Nelson. Mas pouco antes do início, seu Teleco havia me dito: "Peraí, querida. Vem aqui comigo que vou te colocar no melhor lugar." Ele me leva ao lado de Ferro que, vestido como típico pastor evangélico das praças do centro, começa a declamar um texto de fúria e religiosidade. Me arrepio só de lembrar.
No final do espetáculo, a recepção de volta ao saguão: "E aí? Bom, né? Esses garotos são ótimos!". Ferro deve ter 50 anos. Marcos Ferraz e o resto do elenco, 30 e poucos. Só duas ou três atrizes podem ser consideradas garotas. Quando Teleco soube da minha espera ali por uma entrevista com uma das atrizes, logo tascou, "um cafezinho?".
Ferro, Marcos e Anna Cecília Junqueira, minha entrevistada, são simpáticos, talentosos e prestativos. Mas seu Teleco vai ficar na memória.
E na saída: "Não vai sumir, hein? Vê se aparece..." Pode deixar.
O espetáculo? Fantástico, excepcional. Com um time de atores de tirar o fôlego. A direção, do Nelson Baskerville, é obra de gênio. Todas as cenas acrescentam algo a obra imortal de Nelson Rodrigues.

Escrito por Vanessa às 13h21
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É Nóis na Net.
A coluna teatral sagomense estreou nesta sexta-feira no Site de Cultura da Cásper. Espero que os próximos posts venham acompanhados de mais links que nem esse que está aí embaixo:
http://www.facasper.com.br/cultura/site/ensaio.php?tabela=&id=210
Escrito por Vanessa às 09h11
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Meu perfil
BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, JARDIM LONDRINA, Mulher, de 20 a 25 anos, Portuguese, English, Arte e cultura, Livros MSN - vana_medeiros@msn.com
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