Pseudo-sucesso
Jornalista é aquele bicho estranho, chato, com óculos moderninhos e ideologias ultrapassadas que fica contente na proporção exata em que aumentam seu limite de caracteres. A maioria deles anda em bando, só sabe falar de fontes, entrevistas, pautas e outras inutilidades do dia-a-dia, e ainda por cima se acha muito superior a você. Veja bem: eu não disse superior, eu disse MUITO superior a você.
Somos detestados pela maior parte dos seres-vivos normais. Até as pedras nos olham torto. Seguranças, então, nem se fala. Eles nos farejam a quilômetros. Parece que todos acham que nós viemos ao mundo para acabar com a felicidade alheia. Se aparecemos no teatro, é pra falar mal da peça. Se pedimos uma entrevista, é pra humilhar o entrevistado (os óculos modernos exercem uma pressão que você não tem idéia). Se vamos a uma exposição, é pra botar a culpa dos desastres do mundo no curador.
Ainda assim, sobrevivendo como marginais pobres e mal-arranjados, andando cabisbaixos e taciturnos por aí, temos nossas doses de euforia. Passamos semanas tentando contato com a fonte; mais dias pra pesquisar a vida da infeliz; outros tantos dias se matando, suando, sofrendo todas as espécies de torturas espirituais para resumir três horas de fita em uma matéria de 2000 caracteres. Mas, no fim, nos derretemos todos quando uma notinha de rodapé sai no cantinho direito do jornal do bairro. Sem assinatura.
Jornalista é um bicho estranho.
Me derreti toda: http://www.facasper.com.br/jo/livros.php?tb_jo=&id_noticias=653
Escrito por Vanessa às 16h11
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Falta de criatividade.
escrevendo tanto que faltô palavra pra cá. Me desculpa??..
Escrito por Vanessa às 14h00
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Meu final de semana não será jogado no lixo. São 3 livros, uma peça de teatro, 2 resenhas e 1 coluna pra fazer.
Ah! E tô procurando estágio. Posso colocar no currículo que sou dinâmica....
Escrito por Vanessa às 11h17
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Pseudo-reflexões de tardes com chocolate quente.
Será que a gente tem que fazer por merecer tudo que a gente consegue?
Se eu quero muito um negócio lá (vamos usar de eufemismos pra não citar nomes comprometedores como rosquinhas de morango ou doláres suíços), e não consigo, quer dizer que eu não mereço? Que eu não estou à altura?
Dá pra seguir em frente depois de se tocar disso? Eu espero que sim.
Escrito por Vanessa às 18h47
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Argentinos são melhores
O cinema argentino é feito de surpresas agradáveis. Os filmes do país são muito melhores que os nossos. E olha que eu adoro cinema brasileiro... Os mais criativos filmes brasileiros alcançam apenas os mais medíocres argentinos. Com exceção de "Cidade de Deus", que está acima de qualquer classificação clandestina de blog vagabundo.
Assistam a "Clube da Lua", que estreou no circuito paulistano na última sexta-feira. Um filme maravilhoso em todos os sentidos. Sútil, engraçado, bem-feito, cheio de significado.

E Ricardo Darín, o de verde, não poderia estar melhor.
Escrito por Vanessa às 08h30
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Fale com ela
Sempre quis saber porque Almodóvar é considerado um gênio. Nunca havia assistido a um filme dele, mas já sabia que não ia me impressionar, ele não parece ser uma criatura impressionável. Como eu fui estúpida! Um dos filmes mais belos e instigantes que eu já vi foi "Fale com Ela", ganhador do Oscar 2003 de Melhor Roteiro, entre diversos outros prêmios.
Sútil, belo, de uma melancolia estética profunda. Sou gente melhor por ter visto Almodóvar despejar sua poesia.
Escrito por Vanessa às 09h11
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Bienal do Livro
Tenho um estranho fascínio por Bienais. De arte, do livro, é só acontecer a cada dois anos que eu tô dentro. Aquilo é praticamente uma selva antropológica. Na última Bienal eu encontrei artistas, celebridades pagando de intelectuais, amigos antigos, desconhecidos interessantes. Livro que é bom, poucos. O preço é caro e o evento é mais pela importância mesmo (pelo menos para mendigos universitários como eu).
Algumas figuras são conhecidas de longa data. Os óculos de jornalista, boina e bloquinho de anotações são sinais de perigo. Fique longe dessas criaturas. Qualquer ser que consiga usar cachecol num calor desses merece atenção especial. Fique longe das cafeterias. É mais seguro.
Eu irei à Bienal semana que vem. Mas, como disse um amigo, "não vou comprar nem água". Talvez um cafézinho...
Escrito por Vanessa às 13h43
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Mídia fraca
Ontem o Senhor Excelentíssimo Presidente da República anunciou que irá adotar o modelo japonês de TV Digital.
A dúvida de milhares de brasileiros: "E daí?"
Nenhum mísero jornalista sabia responder essa questão. Agora me responde: "Por que aquele processo de seleção infernal na Folha e no Estadão se as matérias vêm cheias de erro e com informações incompletas?"
O que vai mudar na nossa vida, agora que Lula rejeitou os modelos europeu e americano? Dizem que a TV digital revolucionará o fazer comunicação no Brasil. Tomara que os jornalistas comecem a explicar os porquês.
Escrito por Vanessa às 14h48
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A derrocada cultural dos valores.
Dois dias atrás, a festa do Oscar foi palco de uma das mais vergonhosas premiações da história. Eu tive vergonha de alimentar uma indústria cultural como aquela. A maior festa do cinema americano provou ser um prêmio de cúpula, repartido entre amigos. A maior prova, contrariando todas as expectativas, foi o prêmio da Categoria Melhor Filme, que foi concedido ao filme Crash, no lugar de Brokeback Mountain, o favorito. O filme de Ang Lee, agraciado pela cítica e dono de todos os prêmios de 2006 espalhados pelo mundo (Globo de Ouro, BAFTA, Associação de Cinema Independente, Veneza, etc.), no saldo final, levou menos estatuetas que Memórias de Uma Gueixa, a decepcionante fita de Rob Marshall.
Isso despertou algumas reflexões. A sociedade ocidental, pro bem ou pro mal, é um espelho da indústria midiática. Nossos sonhos, aspirações, limites e questionamentos se refletem na produção cultural do Ocidente, quer seja no produto ou no modo como o confeccionamos. O homem expressa seus sentimentos e emoções, se desenha através de sua arte. As expressões e movimentos artísticos são condição básica para o desenvolvimento de uma comunicação e da partilha do conhecimento. É óbvio que, hoje, isso não tem nada a ver com democracia. Se comunicação pressupõe a existência do Outro, cada um luta pela conquista de seu interlocutor. Mas as condições e a máquina liberal produzem monopólios. O Oscar é o símbolo máximo do monopólio americano sobre a sétima arte.
Até aí, nada de mais. Não discuto aqui alternativas pela democratização da comunicação. Mas por uma necessidade de controle de qualidade (conceito, em alguns casos, um tanto duvidoso do ponto de vista filosófico) criaram-se instituições que premiam, privilegiam, fazem um elogio do bem-feito. A Academia de Los Angeles, neste último dia 5, pretendia, afirmando justamente este princípio, eleger os melhores filmes do ano em diversas categorias. O fato é que a crítica foi burra. Como tantos profissionais qualificados em tantos lugares do mundo podem se enganar com tanta convicção? Simples: ninguém imaginou que o preconceito fosse vencer o bem-feito em Brokeback.
O filme é realmente muito bom. A performance dos atores não é nem de loge comparável à interpretação insossa de Matt Dillon em Crash. Mas eles perderam. Crash é um filme sobre Los Angeles, filmado ao estilo "somos bons" da Academia, e respeita o limite da moral e dos bons costumes que marca os vencedores de um Oscar. Dar o prêmio a Brokeback Mouintain seria legitimar uma série de idéias tão encobertas quão difíceis de contornar. Tirando 6 dos oito prêmios praticamente das mãos de Ang Lee, a Academia acabou não percebendo que desta vez não havia alternativa. Ela revelou e retificou uma prática que põe em cheque a credibilidade de uma instituição que, infelizmente, cresce às custas de enganações.
Escrito por Vanessa às 11h11
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Bu!
Dizem por aí que hoje tem trote teatral no Sagomadarrea.
É só um boato, mas é melhor tomar cuidado ao sair de casa.
Nós podemos ser cruéis.
Escrito por Vanessa às 09h19
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Caos Urbano
As duas primeiras semanas na faculdade são sempre inúteis. Professores não vêm, alunos já esqueceram há muito onde fica a Gazeta e a coisa simplesmente não rola. Quer dizer, tem aula, tem gente aqui, mas tá todo mundo dormindo. Então, nessas duas semanas eu vim. Todo dia, às 8:00h da manhã, aqui estava eu, respondendo a droga da chamada pra não ficar com falta.
Hoje, na primeira aula de verdade dessa droga, eu fiquei simplesmente meia hora tentando subir em um daqueles ônibus horrivelmente lotados. A única opção foi ir à casa da minha aimga (com ela junto, claro, não sou tão malvada assim) tentar uma carona com o pai dela. Resultado: cheguei! Mais de uma hora depois do começo da aula.
O problema é o seguinte: minha cara-de-pau não vai muito além da minha coordenação motora. Não tenho coragem de interromper a aula do Luís Mauro pra entrar em uma sala que já está lotada desde às 8:00h.
Acho que vou entrar no Orkut...
Escrito por Vanessa às 09h16
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Bom sofá!
Aluguei dois filmes do Chaplin hoje.
Será que tem pipoca no armário?
Alguém tá servido?
Ele vem me visitar daqui a pouco.
Escrito por Vanessa às 12h46
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Utopia.
São 13:45 no Shopping Eldorado. Fora do shopping também, mas você entendeu, não se faça de tonto. De repente, estou a olhar uma vitrine de uma dessas lojas feitas para aquele tipo de pessoa iluminada e sublime, mais abonada que você. Um dos clientes lá dentro é um cara loiro, alto, de olhos verdes, calça e camisa social pretas, físico de Reynaldo Gianeccini, voz de locutor de rádio.
Esse é um dos momentos em que você pára e pensa na vida. Na injustiça e na crueldade da vida. Aquele cara faz você pensar em tudo aquilo que você não tem. Um ótimo começo para sessões de terapia. Ele é lindo, rico, e nunca vai olhar pra você.
Até que ele veio em minha direção. "O que diabos ele pode querer comigo?" A biba requebra:
"Desculpe, querida, mas eu estava olhando e achei que essa blusa marrom combina muito com você. Seus olhos são tão lindos..."
Juro que isso aconteceu comigo há pouco mais de 4 horas. O mundo é tão injusto.
Escrito por Vanessa às 18h03
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The new Wando.
Era mais um dia inofensivo na Unigazeta. Ou parecia um. Andando pelos corredores com uma amiga, me deparo com uma porta da Manutenção aberta e, dentro deste gueto impenetrável, uma singela tia da limpeza se encontra de pé rente à porta.
Nada de mais não fosse a foto glamourosa do pseudo-astro-conquistador-de-corações Luigi Barriccelli pregada na parede. A tia olha a foto com ternura e conversa alguns minutos com ela.
Minha amiga, em um ato instintivo e preciso, não poderia ter tido outra reação:
_É nessas horas que eu sinto falta da minha câmera...
Escrito por Vanessa às 20h43
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Feliz ano novo.
Carnaval é mesmo uma coisa estranha. No ano novo, todos colocam sua roupinha branca, estouram seu champanhe e fazem listinhas ridículas de promessas pra lá da realidade, mas o ano só vai começar mesmo na quarta-feira de cinzas, dois meses depois.
Minhas aulas começaram no dia 13 de fevereiro, mas até agora apareceram uns dois ou três professores com vontade de dar aulas. Não acredito que aparecerão mais até o final do ano (professor é uma profissão meio ingrata), mas todos concordam em uma coisa: o Brasil só começa a voltar das férias depois do Carnaval.
Isso foi pauta pra uma reportagem que alguns amigos fizeram, e que servia de seleção para um estágio lá na Cásper. Um deles veio me entrevistar pra ver se conseguia alguma aspa interessante, tadinho. O desespero já havia tomado conta de seu pequeno coração de estagiário pobre. Eu havia acabado de sair do meu costumeiro ônibus lotado, o já tão querido "Paraíso - Pq. do Engenho", depois de 40 minutos tentando driblar os pequenos probleminhas do nosso transporte público. Os dois indivíduos caídos no chão do ônibus não conseguiram.
Primeira pergunta da entrevista: Você acha que o seu ano só vai começar depois do Carnaval?
_Hã??? Não sei. Acho que sim.
_Por quê?
_Porque é quando as pessoas começam a produzir algo de útil.
_Você não produz nas férias?
_Não.
_(cara de espanto) Não? Então o que vc faz?
_Eu me divirto.
_ Então você não se diverte produzindo?
_Ah, sei lá. Depende do que eu produzo.
_Essa conversa tá ficando meio abstrata, não tá, não?
_ Tá, desliga essa droga de gravador e inventa a aspa. Aula de ética é só no quarto ano...
Escrito por Vanessa às 18h15
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Meu perfil
BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, JARDIM LONDRINA, Mulher, de 20 a 25 anos, Portuguese, English, Arte e cultura, Livros MSN - vana_medeiros@msn.com
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