Bibi canta Bibi

Ontem eu presenciei um dos momentos que ficarão guardados pra sempre na minha memória. Eu fui assistir ao espetáculo Bibi In Concert III, um álbum de recordações dos maiores momentos da carreira de Bibi Ferreira, por si só uma personificação do teatro brasileiro dos últimos 60 anos. No final do show, conseguimos dar um abraço nessa figura maravilhosa dos palco brasileiros, e tirar uma foto com ela. Inesquecível. Por alguns dias ficarei ausente, olhando pro teto por algum tempo, sem ter o que falar. Normal. Coisa de gente boba que não tem o que fazer.

"Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida, descontente,
Repousa lá no céu eternamente
E viva eu cá na terra sempre triste."



Escrito por Vanessa às 15h57
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A Globo e suas minhocas

Eu aprendi milhões de coisas no último ano. Não que tenham realmente ficado retidas no meu modesto cérebro por mais de alguns dias, mas algumas lições consegui aproveitar. Uma delas foi a admiração aos grandes gênios. A vida é feita de quem você conhece. Existem pessoas que valem um altar, que realizaram proezas ou que simplesmente são dignas de uma ótima conversa.

Em cartaz em São Paulo está a maravilhosa Bibi Ferreira, com o espetáculo Bibi In Concert III, que vou ter o prazer de assistir no próximo domingo. Vendi minha alma a um precinho bem módico para poder assisti-la, mas não vejo a hora desse dia chegar. A mesma coisa aconteceu quando eu tive o enorme prazer de presenciar um bate-papo com Paulo Autran no Sesi. Fiquei extasiada. Como pode existir um homem daqueles? Inteligentíssimo, educado e, além de toda a humanidade, um dos maiores atores que o Brasil já conheceu.

Não que eu tenha alguém em quem me espelhar, mas acredito mesmo que posso aprender muito com cada uma dessas pessoas que carrega a história atrás de si. Em cartaz em São Paulo, por exemplo, estão Luis Melo, Francisco Cuoco e Walter Breda, três imperdíveis personalidades, cada qual com seu talento e importância. São peças pra não deixar passar, sem falar em tietagem. A cultura da mídia e a espetacularização do outro não tem nada a ver com o que eu estou falando. Falo sobre reconhecer. Entristeço-me só de lembrar que a grande maioria do público brasileiro não sabe quem é Gianfrancesco Guarnieri, mas pagaria pra ver o Paulo Vilhena subir ao palco.

Por que não se reconhece os grandes homens de teatro? Por diversos motivos. A falta de valorização da cultura como bem essencial à vida é um deles. Outro problema é que não sabemos reconhecer grandes profissionais em vida. A não ser que a Globo os pinte. Como diria meu querido professor de comunicação, a família Marinho poderia tornar uma minhoca o próximo ídolo nacional. O processo é simples. Lançaria-se a trilha sonora da minhoca pela Som Livre, a Época daria uma capa com a minhoca, ela gravaria um longa pela Globo Filmes, estrelaria a próxima novela das 8, teria um Arquivo Confidencial no Faustão e seria uma das participantes do próximo Big Brother. Pelo menos ficaríamos livres do Vilhena.



Escrito por Vanessa às 13h32
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Golden Globes

O pesadelo do Oscar ressurge mais uma vez. O prêmio conhecido no Brasil como Globo de Ouro vem todo ano para antecipar as condecorações cinematográficas, já que é celebrado antes mesmo da lista de indicados ao Oscar deixar as salas herméticas da Academia hollywoodiana.

Esse ano foi a vez do prêmio provar seu liberalismo, já tantas vezes testado nas piadas e no clima descontraído que marca a festa. No geral, a noite foi boa, com destaque aos merecídissimos prêmios de House, Comander and Chief e Transamerica, por seus atores maravilhosos. Minha única decepção foi a trilha sonora, que deveria ter ficado nas mãos de "Os Produtores". O mico da noite é óbvio que ficou por conta de Desperate Housewives. No prêmio de Melhor Atriz em Série Cômica, das cinco indicações, quatro pertenciam às estrelas do seriado. Numa demonstração precisa da Lei de Murphy, o prêmio acabou nas mãos da quinta atriz, Mary-Louis Parker ("Weeds").

Essa simples redatora que vos fala não está querendo incitar conspirações, mas alguma coisa essa Mary-Louis deve ter feito pra roubar o prêmio das quatro melhores e mais badaladas atrizes da Tv americana. Basta dizer que uma delas, Felicity Huffman (Linette), ganhou um dos melhores prêmios da noite como Melhor Atriz de Cinema por sua atuação em Transamerica, onde representa um transexual. Além do liberalismo, o Globo de Ouro acabou provando ser um premiozinho de cúpula, a exemplo do Oscar. Falando nisso, começa a contagem regressiva para a maior festa do cinema mundial.

No dia 31 deste mês, sai a lista dos indicados, na qual um dos maiores diretores brasileiros, Fernando Meireles, concorre por O Jardineiro Fiel. Pela exposição que Meireles teve no Globo de Ouro, ao concorrer com ótimos diretores emergentes, podemos esperar uma indicação e muitos créditos a mais na carreira deste grande diretor.



Escrito por Vanessa às 15h41
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Releitura.

Abre a cortina.  Um homem surge ao fundo e se encaminha para a boca de cena. Ele é jovem, mas tem a dureza de olhar daqueles que sofreram cedo. No fundo, uma melodia triste, quase uma ode à melancolia da vida. Quando ele chega ao seu objetivo, a música diminui devagar até se tornar um sussurro constante. 

Começa a recitar, com uma introspecção emocionante. Sua fala parece acompanhar a melodia triste. Ele fala como se cada palavra pesasse em sua boca, como se fosse difícil expelí-las até o final.

_Eu vou embora. Vou para um lugar onde passáros cantem com a alma. Ficarei hospedado em um hotelzinho na beira-mar. Ele vai ter janelas azuis e uma parede branca-quase-suja. Vão ter redes beges que balançarão a poucos ventos, quase brisas. Uma  velhina com dois filhos virá me visitar todas as manhãs e me contará como é bonita a família que deixou pra trás. Ela me amará de um jeito quieto, quase maternal. Terei água gelada da bica e tomarei as mulheres mais bonitas daquela terra com um vigor de juventude boa. Dormirei sonhos bons de infância e esquecerei do tempo, porque não serei mais daqui. E quando me perguntarem pra onde vou direi 'pra cá' porque estarei em uma terra que não carece de objetivos. Falarei quando necessário, pra não esquecer as palavras bonitas. Não vou ter planos pra não me esquecer do agora. E morrerei depois de um silêncio gostoso, como se a vida me prestasse últimas homenagens.

Ele estaca. A luz desce. Fim de cena.



Escrito por Vanessa às 18h03
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O cronograma ilógico das férias

Até 3ª semana - Manhê!!! Tô saindo. Tá rolando uma exposição lá no centro que eu tô louca pra ver faz dois meses. Não fui antes porque essa droga dessa faculdade toma todo o meu tempo. Graças a Deus me livrei daquilo! Ah! E de lá vou me encontrar com o pessoal pra ir no noitão do HSBC. Se enjoar, vou pra balada depois. Ah, sei lá! Daqui uns dois dias eu volto.

4ª a 6ª semanas - Ôoooooo Van!!!! Aquele seu amigo bonitinho ligou! Disse pra vc ligar pro celular dele pra vocês irem no cinema mais tarde. (Resposta: Ah! Tudo bem! Não tô fazendo nada mesmo. Ainda bem que eu não moro no interior! Não ia agüentar 2 horas em uma cidade pequena!)

5ª a 8ª semanas - Putz. Que saco. Já vi tudo que tem pra ver nessa droga de cidade! Também quem mandou nascer em São Paulo! Cidadezinha horrível! Se eu tivesse em Nova York, pelo menos! Aquilo sim é que é lugar!

9ª semana e 10ª semanas - Cásper, cásper pelo amor de Deus!!! Eu adoro aquele lugar! Eu preciso fazer coisas úteis!!! Preciso de caracteres, pautas, problemas!!!! Eu quero problemas! Já decorei toda a programação da Tv a cabo. (A propósito, são 157 canais, não 158 como eles haviam dito.) Não tem um guardinha de exposição que não tenha cansado da minha cara!!! Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah!



Escrito por Vanessa às 17h56
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Um museu de grandes novidades.

"Eu vejo o futuro repetir o passado. /Eu vejo um museu de grandes novidades. /O tempo não pára.", um herói.

E então ela percebeu que o tempo não é contínuo. Ninguém evolui porque não estamos falando de uma linha reta. O que acontece há séculos, e que nós nos recusamos a entender, é um ciclo ininterrupto. As coisas se repetem, as motivações são sempre as mesmas. Nós somos ao mesmo tempo causa e conseqüência de um passado que explica e desmonta o futuro.

"Minha dor é perceber que, apesar de termos feito tudo o que fizemos, ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais.", uma poetisa.

O que seria o tempo senão uma invenção do homem que busca uma segurança medida pela certeza da morte? Caminhamos rumo a um fim comum ou simplesmente abandonamos um ciclo que se repetirá infinitamente. Pode ser triste, mas deixa a vida muito mais interessante.

"O tempo passa, mas nem tanto.", um ídolo.



Escrito por Vanessa às 14h09
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O eterno paradoxo do agora e do sempre.

A vida é efêmera. Quem me ensinou isso foi Clarice Lispector. Por uma pequena diferença de gerações, ela teve que usar minha professora de literatura pra isso, mas mesmo assim me orgulho de mestre de tal porte. Se tudo muda sempre, tudo continua, como ela dizia, eu digo (reparem na pretensão elogiável) que os jovens ignoram isso. Estranhamente, eu sei, já que Clarice é matéria indispensável em qualquer vestibular de esquina. Esta última expressão não é minha, e acredito também não ser de Clarice. Parece pertencer à professora de literatura.

Voltando ao que interessa, a juventude é passional. Apega-se a tudo com uma entrega irresoluta, uma paixão determinada. E sofre tanto por isso. Viver o aqui e o agora está em qualquer manual de sobrevivência das novas gerações. Não só hoje, como sempre. Mudam-se os costumes, mas nunca as motivações.

Ontem à tarde, saindo de um Shopping destes sultusos aqui da capital, avistei duas garotas de seus 15 ou 16 anos (a idade da descoberta do quase-tudo). As duas brigavam porque uma delas havia se atrasado e, por causa da falta, ambas haviam perdido a sessão de cinema que estavam combinandos 'há séculos', segundo minha fonte, claro. A mais magrinha, de cabelos loiros soltos nas costas, quase foi aos prantos. Mas encheu-se de dignidade e rumou em fuga ao Mc'Donalds. A morena de olhos claros correu atrás.

Alguns problemas parecem tão grandes aos nossos olhos que não reparamos o quão ridículos podemos ser sem o cuidado essencial que permite a auto-avaliação. As garotas provavelmente perderam o ânimo pelo resto do dia por um filme que, eu posso dizer, não era grande coisa. Mas um pouco da graça de ser jovem está aí. Amar e desamar com a mesma intensidade dos romances de Clarice.



Escrito por Vanessa às 20h06
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Uma metáfora de desabafos - sobre a estranha importância subjetiva das coisas

Portanto, não havia mais jeito. Se havia alguma coisa pra se fazer naquela espelunca, era rezar. O espetáculo estava marcado pra daqui duas horas, e o saldo de 40 minutos de aborrecimentos somava dois figurinos rasgados, um ator sem falas decoradas, um diretor filho-da-puta e dois produtores com ataques relacionados a algum válvula coronária.

Tá certo que o texto não era mesmo aquelas coisas, e o público talvez nem reparasse na merda que estava vendo. Afinal de contas, espetáculo de escola não é pra ser grande coisa mesmo. Se alguém esperasse coisa melhor, que fosse tomar conta da própria vida e parasse de criticar os outros. E ponto final.

Mas era um mico gigantesco encarar todo aquele pessoal como se nada estivesse acontecendo. Mas o que se podia fazer naquela hora? Não adianta culpar ninguém. Esse bando de ignorantes não distingüiria Rei Lear de Otelo. Nem que esfregassem o Iago no nariz deles, porra!

Puta que pariu! O tempo tá acabando, o tempo tá acabando! Nem unha eu tenho mais! Já se foram todas nesse nervoso! Porque diabos eu fui escolher essa droga dessa profissão??? Porque eu não fui ser advogada, desgraça? Muito mais simples. Põe um terninho cinza e lê meia dúzia de livros com títulos impronunciáveis! Eu já li Kafka e ninguém me deu um diploma por isso. Kafka? Bem que eu queria ser um inseto agora! Aquele infeliz não sabe a sorte que tinha! Peraí. Eu tô tremendo? Meu Deus, é pior do que eu imaginava!


Pronto, você está de figurino. Isso mesmo, figurino. Foi tão difícil assim? Claro que não. Eu mesmo te disse: um passo de cada vez. Agora é a vez de entrar no palco. Não, peraí... não foge. A-há! Te peguei! Pronto! Você já decorou suas falas, fez exercícios de voz, esticou cada membro do seu corpo. (com voz macia e infantilizada) Quem vai subir no palco? Hein? Hein? Você!!!!!


*A peça "O Sítio do Pica-Pau Amarelo" foi um sucesso que marcou época na escola da paróquia de Santa Cecília. Rabicó, apesar de nervosa, ganhou o prêmio de atriz revelação.



Escrito por Vanessa às 19h40
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Razões pelas quais minha jornada literária ainda é uma ilusão

1. Cem Anos de Solidão, Gabriel García Márquez - Quem se depara com essa obra-prima da literatura mundial, tão cheia de lirismo, som e vida, pensa algumas milhares de vezes antes de escrever alguma coisa. A jornada dos Buendía é definitivamente um incentivo à vida, contada com o talento imprescindível de um dos maiores gênios da atualidade.

2. A Hora da Estrela, Clarice Lispector - Na minha opnião, quem não entende e destrincha absolutamente todo aquele prefácio extremo, ainda precisa aprender muito sobre a vida e sobre onde quer chegar nessa viagem, a viagem do sim.

3.Se eu fosse russa, estivesse com tuberculose ou me descobrisse uma filha bastarda do Tchecov, a coisa ia ser bem mais fácil.

4. A arte de contar uma história exige o domínio mais completo que se possa ter da linguagem que se utiliza. Isso diz respeito ao código e às suas formas de manifestação. Além disso, quem não tem a sensibilidade exata de um artista com a alma aberta, e não possui um tempo de convivência mínima com essa essência subjetiva, não consegue nada de realmente bom em literatura. Se eu tenho 18 anos e não me chamo Machado de Assis, não respondo a esses requisitos de maneira satisfatória.

Ps: Alguma coisa dentro de mim anda criando um outro mundo. Um lugar anterior a mim, anterior a tudo. Eu fechei essa história dentro de mim, mas não consegui direito: a idéia dela continuou pra fora, rondando alguns dos meus olhares em direção ao mundo. Quando esse lugar cheio de mim e dos outros finalmente ficar pronto, ele não dependerá mais da minha alma pra existir. E então será do vão universo.

"O mundo terá acabado de se foder - disse então - no dia em que os homens viajarem de primeira classe e a literatura no vagão de carga.", García Márquez.



Escrito por Vanessa às 17h15
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Mais do que um Mestre

Com o começo do ano, me dei conta de que todos os professores com os quais convivi na Cásper durante um ano importantíssimo da minha vida são só passado a partir de agora. Ao contrário do que aconteceu quando saí do Guilherme, onde conservo amigos insubstituíveis entre o corpo docente, na faculdade não é a mesma coisa. Não é por falta de vontade, ou frieza, ou qualquer coisa do tipo, que os professores e os alunos não se tornam tão chegados quanto nos tempos de escola. A relação é outra, difícil de explicar, mas baseada na admiração, no respeito mútuo e na efemeridade das coisas hoje em dia.

O problema é que depois de um ano de convivência, alguns professores marcam. São aquelas pessoas que, no começo, te inspiram a simpatia que irá se transformar em carinho. Nunca mais vou ler nada sobre índios sem pensar na sabedoria notável do Edemílson, nem usar crases ou apostos sem lembrar da ironia deliciosa do Celso Unzelte. Muito da minha carreira de jornalista cultural vai ser inspirada em Sidney Ferreira Leite, um ás no assunto. Sempre vou olhar pra história tentando pegar o viés da Mônica. E nunca, nunca vou esquecer do sarcasmo costiano.

Aos mestres que foram, um abraço e tanto. Obrigada por me iniciarem em um mundo acadêmico que me traz tanto deleite. Me desejem boa sorte.

Aos que virão, vocês não perdem por esperar...(risos desesperados que evocam algum tipo subversivo de crueldade).



Escrito por Vanessa às 18h38
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2000+5

Segundo a numerologia do querido André-alguma-coisa, especialista do programa cult Mulheres, das tardes da Gazeta, 2005 foi meu ano 9. Na língua dele, isso quer dizer que eu estou em uma fase de encerramentos. Não é que o infeliz acertou? 2005 foi meu ano de amadurecimento.

A vida me contou muita coisa. Contou, por exemplo, que as coisas são muito mais difíceis do que eu pensava, que esse mundo é uma merda pra todo mundo e cômodo pra quem paga por ele. Fiquei sabendo também que mais dura que a realidade é a enganação. Pior do que enfrentar a vida é saber que não sobreviveríamos sem a ilusão.

A vida me contou também que um amigo é a maior manifestação de poesia que o mundo pode me conceder, e que os melhores aparecem por acaso e, de uma hora pra outra, estão conversando por longas horas em uma mesa de bar por aí. Descobri com ajuda do mundo que a afinidade é o melhor combustível das conversas, mas a admiração é o que faz do outro um essencial.

Achei que já sabia, mas acabei por aprender que a vida é muito mais complexa do que um mero planejamento de carreira, e que eu posso ser o que eu quiser, desde que isso não contrarie a minha personalidade. Assim como alguém me contou que um dos objetivos supremos da minha vida é a sabedoria. Tornei-me jornalista porque acredito piamente na informação. Sei que a única maneira de entender o mundo, e sobreviver a ele, é tendo embasamento pra isso. E depois, renunciei ao mantra do jornalismo por ter certeza de que não são Nassifs, Conys, Kramers e Jabors que irão mudar o mundo, mas Guimarães Rosa, Clarice Lispector, Érico Veríssimo, e suas poesias essenciais. A maior decepção do ano foi descobrir que o jornalismo de hoje nem sabe o que é a vida. Ignora o lirismo do mundo.

Por último, descobri sozinha (isso a vida não me contou) que a impagável verdade da vida é a ficção do mundo. Criando realidades a gente compreende melhor o mundo. E algumas companhias doem quando ausentes. E algumas pessoas são essenciais. E eu sou virtude, estética, paixão e prazer. Todo o resto é conversa.



Escrito por Vanessa às 18h06
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BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, JARDIM LONDRINA, Mulher, de 20 a 25 anos, Portuguese, English, Arte e cultura, Livros
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