Status: Ausente.

Ando meio ocupada essa semana, e sem assuntos interessantes pra postar, ou talvez sem tempo pra pensar em pautas legíveis, já que temas é o que menos falta hoje em dia. Pra não deixar os dois leitores desse blog em crise, prometo postar algo mais útil antes do fim do ano. Por enquanto, fiquem com isso: essa música marcou minha semana.

Cold Play - Fix You

When you try your best but you don't succeed
When you get what you want but not what you need
When you feel so tired but you can't sleep
Stuck in reverse

And the tears come streaming down your face
When you lose something you can't replace
When you love someone but it goes to waste
could it be worse?

Lights will guide you home
And ignite your bones
And I will try and fix you

And high up above or down below
When you're too in love to let it go
But if you never try you'll never know
Just what you're worth

Lights will guide you home
And ignite your bones
And I will try and fix you

Tears stream down your face
When you lose something you cannot replace
Tears stream down your face
And I

Tears stream down your face
I promise you I will learn from all of my mistakes
Tears stream down your face
And I

Lights will guide you home
And ignite your bones
And I will try to fix you



Escrito por Vanessa às 15h52
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O Tédio natalino

Esse post eu também dedico ao Natal. Mas ao tédio que se abate sobre as pessoas nos dias próximos a essa data. Pelo menos aqui em casa é sempre assim. No dia 23, eu desço a escada correndo e, como em todos os outros dias do ano, falo: "Mãe, vou sair!". Mas a resposta não é tão cotidiana assim:"Hoje????? Mas é quase véspera de Natal! Tem tanta coisa pra fazer!". Resultado estressante disso tudo: eu preciso ficar em casa ajudando na arrumação pra tão divertida Noite Feliz.

Prenda um geminiano em casa e verás o que acontece. Um turbilhão açoitará tua casa e envergonhará tua família. Acho que era isso que dizia a velha profecia. Nostradamus talvez. Apesar disso tudo, existem várias saídas para os meus problemas. A primeira, e mais útil delas, é andar pela casa como se estivesse realmente interessada em ajudar, me esconder no canil e ler um bom livro, sem ninguém pra incomodar. Funcionava nos três primeiros anos. Hoje, não mais.

Preciso de janeiro. Urgente. Quem sabe quantas professias mais estarão por vir...



Escrito por Vanessa às 18h52
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Noite feliz.

Três dias pro Natal e eu penso: "Por que tantas pessoas não gostam dessa data?". O Natal mostra muito bem os paradoxos que nos cercam. Uma noite feliz pode ser extremamente depressiva. Quem não se enquadra nos padrões burgueses da família-feliz-com-sorriso-de-comercial-de-margarina não está satisfeito com a noite do dia 24. Os filmes e seriados de TV mostram sempre uma mesa farta e pessoas que adoram comer bastante peru com farofa e champagne antes que o Papai Noel chegue. E ainda dizem que a vida imita a arte. É, seria mais lucrativo... 



Escrito por Vanessa às 12h48
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Nem toda unanimidade é burra - De quando Nelson Rodrigues deixou de estar em cena.

Hoje, dia 21 de dezembro de 2005, estamos a 25 anos da morte de um dos maiores dramaturgos modernos de nosso país. Considerando que não temos muitos grandes autores teatrais anteriores ao século XX (à exceção de França Júnior, Martins Pena e Artur Azevedo), e que ninguém por aqui foi mais montado, dissecado e adaptado do que Nelson, podemos tomar a aura de sucesso que existe em torno deste como merecida.

O modernismo no Brasil, como todo bom aluno ginasial sabe, data de 1922, quando dois caras geniais, Mário e Oswald de Andrade, seguidos por uma turma de malucos metidos a vanguardistas, resolveram celebrar o Centenário da Independência, com uma festinha particular no Municipal. Muito bonito até. Pintores do Brasil inteiro adoram essa época. Escritores também, vivem falando disso. Mas a arte dramática foi renegada. Não creio que tenha sido proposital, até porque Oswald já tivera algumas incursões pelo teatro. Viria a escrever peças que hoje são clássicas (o que chatearia um pouco o modernista), como O Rei da Vela. Pra mim, ele só esqueceu de mandar o convite.

O resultado disso tudo é que o teatro brasileiro continuou se espelhando naquelas comedinhas de costume européias que agradavam tanto uma elite despreocupada como a nossa. São dessa época o crepúsculo de dramaturgos como Joracy Camargo. Mas a cena teatral não contava com o aparecimento de um cara muito despretencioso e sua inseparável máquina de escrever. Nelson Rodrigues, jornalista filho de jornalista, não devia saber o passo que estava dando, mas lá por volta de 1940, escreveu sua primeira peça, A Mulher sem Pecado. Foi um fracasso, ninguém queria montar.

Felizmente, ele não desistiu. Três anos depois, fez daquela data o marco do modernismo brasileiro. Entregou o texto para um grupo carioca chamado Os Comediantes e confiou sua obra-prima, Vestido de Noiva, a um diretor então deconhecido, hoje um dos principais nomes de nosso teatro: Ziembinski. A partir daí, foram mais 15 peças, de conteúdo sempre surpreendente, que são amarradas por um fio de condução muito característico da obra rodriguenana: sinceridade. Mais do que perversão ou cinismo, os personagens, segundo o próprio Nelson, são uma face das pessoas que ninguém quer mostrar. É o que existe por detrás da máscara da classe média brasileira. Dá pra imaginar o que Nelson Rodrigues significou em seu tempo. Personagens psicologicamente bem desenhados que expunham taras sexuais com a mesma fluência com que sorriam suas alegrias.

Com Bonitinha, mas ordinária, Nelson enfrentou vaias em cena aberta. Em Perdoa-me por me traíres, teve que interromper a estréia (na qual atuou como o Tio Raul), por ameaças da platéia. Nesta mesma peça, Judite declama: "Fui com muitos, fui com tantos... Já me entreguei até por um bom-dia." Senhoras distintas saíam aos berros do teatro, escandalizadas com a situação. Não foi fácil ir até o final. Sua própria vida tem aspectos por demais melodramáticos, retratados por ele mesmo em uma série de crônicas publicadas sob o título de A Menina sem Estrela - uma referência a sua filha mais nova, Daniela, que nasceu cega e com graves dificuldades de saúde. Ruy Castro, seu biógrafo oficial, deu a essa vida prodigiosa e cheia de intensidade, um novo sentido em Anjo Pornográfico, para mim uma das melhores biografias de todos os tempos.

Este blog homenageia Nelson hoje, pelo seu trabalho, por sua vida e por ser um mestre pra essa redatora em começo de carreira. Nelson foi meu primeiro dramaturgo, meu primeiro contato com esse mundo de fantasia que eu chamo de literatura dramática. Com ele, aprendi que ficar preso a um paradigma sobre a definição de teatro é a pior besteira que se pode fazer. Nelson revolucionou o teatro brasileiro pela autenticidade com que retratou seu tema. A linguagem rodrigueana é característica e deliciosa. Seus personagens, uma reflexão de vida, sempre. Suas peças são esteticamente poéticas. Ao mestre, com carinho.



Escrito por Vanessa às 18h56
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De Clarisses e Pessoas

Ler é bom demais. Uma experiência quase transcedental. Mas alguns livros são feitos pra se ler na hora certa. Outros são tão áridos que desistimos no meio. Duvido que alguém tenha lido todos os volumes de O Capital, de Marx. Ou Crítica da Razão Pura, de Kant. Quem leu está mentindo.

Outros são só uma questão de amadurecimento. Quando tinha 14 anos, minha professora de literatura passou para a sala a leitura de Macunaíma, do meu tão querido Mário de Andrade. Naquela época ele não era querido. Estava mais pra monstro produtor de tempo perdido do que pra escritor delicioso, como eu o considero agora. Resultado: não consegui passar das 30 primeiras páginas. Achei um sufoco ler tanta descrição inútil e palavras desconhecidas em tupi. Eça de Queirós então, nem pensar! Primo Basílio me deu ânsias por mais de uma vez.

Hoje passei por Eça, Mário, dois Veríssimos, João Ubaldo Ribeiro, Jorge Amado, Fernando Sabino, José Saramago, com o sorriso delicioso de uma criança que lê Quintana pela primeira vez. Mais sei que Pessoa, Lispector, Cecília Meireles e Guimarães Rosa, só vou compreender por todo em alguns anos. São pessoas refinadíssimas que exigem de mim o algo mais que vem com a idade. Agatha Christie escreveu, por intermédio do meu ídolo Hercule Poirot: "A juventude não é a época da felicidade, mas da vulnerabilidade."

Literatura é a forma mais rica, prazerosa e dignificante de construir realidades com simplicidade. A leitura é um ato solitário. A escrita é a divulgação de um mundo.



Escrito por Vanessa às 12h24
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Porque Deus inventou a Sessão da Tarde.

O dia transcorria muito bem no Paraíso. Já fazia alguns séculos que aquilo andava meio empoeirado. As pessoas não são mais tão fervorosas assim e o Ente Supremo andava com saudades da Idade Média. Deus é uma criatura engraçada. De verdade. Foi Ele que inventou a primeira safra de piadas de português, mas na sua versão eles eram romanos. Faz tempo...

Uma tarde dessas de verão, Ele procurava alguma coisa pra fazer. Muitas enchentes, furacões, e catástrofes naturais aconteciam, mas isso não era problema Dele. O dominó estava faltando uma peça, e ninguém queria jogar baralho porque São Judas sempre trapaceava. Coisa do nome. Foi então que surgiu a idéia de chamar Lúci para um chá. Eles não conversavam há séculos, desde que inventaram o capitalismo de mercado. Os dois reclamaram a autoria da criação e até hoje evita-se tocar no assunto por lá.

O Diabo não pôde aceitar o convite, claro, porque andava ocupado demais com um filósofo alemão que apareceu por lá. Eles sempre dão trabalho. E ninguém entendia o que esse queria dizer. Foi então que Deus teve sua mais brilhante idéia: a TV Globo. Hoje em dia ele passa o dia inteiro na frente da televisão. Não era bem o que aquele pensador dizia ao diabo, mas o céu pôde conhecer o conceito de alienação.


Aproveitando o papo celestial, um diálogo de "Joan of Arcadia":

- Deus, foi você que inventou o teatro?

- Constrir mundos e inventar histórias... Tão maravilhoso que não consegui guardar só pra mim.

 



Escrito por Vanessa às 21h00
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Desabafo. Cuidado: tão íntimo que pode cair no surreal.

O dia havia começado, mas ela ainda não tinha acabado. Havia muitos assuntos nos quais pensar, resolveu ficar mais alguns minutos na cama. Algumas coisas precisavam ser resolvidas, mas faltava coragem pra enfrentar a decepção. Na covardia que o medo impõe, ela resolveu deixar tudo como estava. Da sabedoria da cultura pop, retirou um mantra: "Let it be, let it be." Pode doer, mas é mais confortável do que a perspectiva de uma perda irrecuperável.

Escrito por Vanessa às 14h57
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A metrópole de tantos estilos

Um amigo sempre dizia: "A gente nunca tem tempo. Quando as férias chegam, ficamos que nem cego em tiroteio: não sabemos pra onde ir." Ele tem razão, mas um dos costumes que espero não perder ao longo dos anos é a minha estranha mania de mergulhar no Centro Velho de São Paulo na primeira semana de cada descanso prolongado. A cidade inteira é uma delícia, mas nada pode ser comparado a um café no Páteo do Colégio, alguns minutos de meditação na Igreja da Sé, e um bom sanduíche de mortadela no Mercadão. Até estabeleço recordes com relação ao tamanho da fila. Meu máximo foram 2 horas. Mais do que isso não agüentaria. Isso porque a companhia estava muito agradável...

Ano passado descobri o Mosteiro de São Bento, virou passagem obrigatória. Que igreja! Eu que sempre fui apaixonada por essas construções religiosas fiquei inérte quando me vi dentro daquele lugar. Decoração toda feita em preto e vermelho, mais parece cenário de uma nova seqüência de O Exorcista. Assutadora, mas linda em todo o seu cuidado e acabamento. Uma verdadeira obra de arte! A 25 de Março e a Porto Geral também têm seus méritos, mas, em época de festas, prefiro passar um dia inteiro na Praça Ramos em frente ao Teatro Municipal. Ah! E não posso esquecer da Pinacoteca. Costumo dividir os cidadãos desta cidade em "aqueles que já foram à Pinacoteca" e os "comuns". Pra quem estiver lendo isso: é muito triste se enquadrar na segunda categoria...



Escrito por Vanessa às 18h11
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Diário de uma Exploradora Cultural

Como ninguém lê, justifica-se o marketing: www.centrocultural.zip.net

Não deixem de passar por lá. Hoje, alguns eventos culturais pelos quais passei esta semana e que recomendo para os mais interessados em explorar o que anda acontecendo na cidade da garoa (especialmente hoje, essa expressão ganha ares de trocadilho infame).



Escrito por Vanessa às 19h00
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Na ilegalidade

Neste exato momento, há alguns metros daqui, a Polícia Federal está dando uma batida no paraíso fiscal das compras, o aclamado Stand Center, mais conhecido como a 25 de Março da Paulista. O trânsito está um saco, pedestres não conseguem chegar até o metrô e os paulistas choram por ter que comprar CDs na Fnac ao invés do bom e velho pirata do Stand. Pirataria é crime previsto por lei, mas faz parte do bom e velho jeitinho brasileiro.

Ouvi de um mestre: "Leis são que nem vacina. Algumas pegam, outras não."

                                                                                       Otto Lara Rezende



Escrito por Vanessa às 10h57
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