1964 e a roseira que não está mais aqui...
Quem dera tivesse sido uma pegadinha. Daquelas que só o Sílvio pra achar engraçado. Mas no dia 1º de abril de 1964, o país virou trincheira. O golpe ditatorial dos milicos, arquitetado entre outros por Médici, Andreazza e Geisel, obrigava Jango a deixar sua terra natal às pressas, temente do cárcere.
Mas essa triste história é só pra lembrar de uma mais recente. Ela começa com a seguinte pergunta: o que teria sido de nós sem os porões da ditadura? Se Chico pudesse exibir sua Roda Viva, Zé Celso, O Rei da Vela, e a democracia tivesse reinado por aqui durante todo o século XX, o século das ideologias, das posições indestronáveis e do povo de voz mais ativa do que os poderosos desejariam.
Durante os anos 60 e 70, enquanto o mundo vivia a contra-cultura, o Brasil vivia a impossibilidade cultural. A tirania de alguns nos tirou o direito irrevogável de ser, de aparecer e de pensar sobre o mundo. O que não é usado atrofia. Principalmente em se tratando de novas gerações. O povo brasileiro de hoje tem pouca tradição democrática. Ainda não aprendeu que o essencial da eleição é que o poder não está em cima, mas nas profundezas obscuras das camadas socias, desde que estas carreguem um título de eleitor.
Os recentes escândalos, desde a corrupção estatal até a mesada ilegal, são frutos de uma ludibriação na cara dura. Os políticos desse país acham que podem nos enganar assim. Talvez possam, como fizeram, mas nenhuma recompensa poderia ser maior do que o fato de que uma certa estrela vermelha vai desaparecer por um bom tempo das urnas brasileiras.
E quem sabe o débito desse cheque pare de pesar no bolso de quem não merece.
Olá a todos!
Férias chegaram, assuntos fervilham na cena política nacional, e eu escrevi o que me parece de tudo isso. Ainda tenho mais pautas interessantes para os próximos dias, se os dois ou três leitores deste humilde blog estiverem a fim de ler.
Livro desta semana: Cobras Criadas, Luis Maklouf Carvalho
Contando a história do inescrupuloso e genial jornalista David Nasser e de O Cruzerio, o repórter maklouf fez um trabalho digno de aplausos. Documentação e pesquisa maravilhosos. Tem quase 600 páginas, eu quase confundi com um dicionário, mas vale a pena. Li em 9 dias, vai ser objeto da minha próxima resenha do CC, quem sabe eu não publique aqui.
Beijos a todos!
Escrito por Vanessa às 20h53
[]
[envie esta mensagem]
|