Flâneur - Um Conto Capital
Eu tenho uma esquina. Não era de ninguém mesmo, resolvi pegar. É linda minha esquina. Fica no cruzamento dos meus sonhos com a minha adimiração. Logo ali na Paulista.
De vez em quando eu paro do outro lado da rua pra cuidar um pouco dela. Eu sempre achei muito interessante a capacidade que as pessoas têm de não reparar em nada enquanto andam por aí. E ninguém olha pra minha esquina.
Eu sei que ela está meio sufocada. A vida na cidade grande não é mesmo muito fácil. Ninguém te dá atenção, e ainda exigem que você esteja preparado pra tudo. Vocês têm uma mania incrível de me ignorar! E andam sempre com medo de tudo, querendo pegar tudo pra si - isso é meu, isso é meu... dificilmente algo é seu...
Um dia desses parou um senhor todo importante por lá. Daqueles de gravata e Armani, seja lá o que isso signifique. Não resisti: precisava muito contar pra alguém sobre a minha maior posse. Antenore tem uma estrela, Daniela tem o Ronaldinho, e eu, uma esquina:
- O Senhor gostou? É minha!
- Sua o quê?
- A esquina.
- Ah!
- Gostou?
- Bonita...Quanto tá uma dessas?
- Não sei. Essa abandonaram aí, eu peguei.
- Ih...
- Que foi?
- É que eu não sou muito a favor dessas invasões...
- Mas ninguém tava usando!
- Não sei não. Olha, eu trabalho com imóveis. Corretor, sabe? Então, se você estiver interessado...
Olá!
Bom, esse texto aí em cima é inspirado nas crônicas que eu leio diariamente em um dos meus blogs preferidos: o Blônicas. Ele, aliás, é o meu novo link aqui no Vida En-Cena. Eu duvido que Xico Sá, Evandro Daolio, Rosana Herman, Paulo Castro ou Castelo irão passar por aqui algum dia, mas se acaso o destino o quiser: Bem Vindos ao Vida En-Cena!!!
Espero que curtam a crônica, porque uma crítica bem-humorada sempre vai bem.. são de críticas com gostinho de morango com chantilly que sobrevive esta humilde jornalista...
Muitos beijos!!!
Escrito por Vanessa às 18h13
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