Ensaio sobre a Racionalização da Humanidade (e outras histórias)
Eu ainda não consegui entender essa necessidade humana de organizar e catalogar tudo o que vê pela frente. A racionalização do mundo está ultrapassando os limites da decência. Chega a ser ultrajante, vergonhoso.
Livros? Na pratileira número cinco, obrigada. Filmes? No armário do lado das revistas. Amor? Não vou precisar dele agora, você poderia guardar pra mim no fundo daquela gaveta, por favor? Arte? depende. Surrealista ali, impressionista em cima, e abstrata no lixo que eu não tô pra brincadeira...
A hérege que aqui vos fala cometerá agora o maior dos pecados possíveis. Praticamente um ato terrorista. Direi simplesmente que a informação emburrece. E ainda mais, desafio o leitor atento a parar tudo o que está fazendo, jogar fora toda a carga inútil de dados semanais e sentir, apenas sentir o que te rodeia. Não existe prazer maior do que adimirar um quadro, assistir a uma peça de teatro, ver um filme, apenas sentindo a magia que emana irremediavelmente de tudo o que tem a ver com arte.
Mas não, a sociedade não aprova isso. Pra que eu prove ter feito a lição de casa direitinho eu preciso classificar tudo o que chega até mim e fagocitar o maior número de informções possível. Será que saber tudo significa mesmo ser sábio? O mundo, cada vez mais, obriga as pessoas a agirem como se fossem microcomputadores de última geração. Adimirar, sonhar e amar é besteira. Pensar e computar é preciso.
Não digo que devamos receber tudo que nos é transmitido sem a devida qualificação. Mas poucas coisas no mundo podem ser consideradas qualificadas. A arte é uma delas. Ela não foi feita pra pensar, ou estimular a razão. Não precisamos gastar horas a fio tentando entender o que determinado escritor tentou dizer com aquela palavra, ou o que o pintor quis demonstrar com uma pincelada mais forte. Ao invés disso, sinta o som daquela palavra, o cheiro da tinta, e saiba que arte é, acima de tudo, o instante mágico em que tudo o mais vira fumaça e o que passa a importar cabe precisamente na direção do seu olhar.
Gente!!!!
Essa semana vai ser corrida, por isso já me apressei e coloquei minha nova criação aqui no Vida En-Cena. Trata-se de um momento conflitante. Meus sentimentos se confundiram um pouco entre revolta e desesperança, mas, como tudo na vida, isso passa logo...
Eu queria deixar um beijo aqui pra todos os meus novos amigos da Cásper; pros antigos, que já não são mais amigos e sim irmãos, condições básicas para que eu prossiga no meu caminho; e pro Bruno Uchoa, meu querido colaborador e amigo, que comentou aqui de novo essa semana, e fez falta no tempo em que ficou meio sumido... te adimiro muito mesmo, Bruno. Sua inteligência é inspiradora.
Muitos beijos à todos e uma ótima semana!
Vanessa Medeiros, em mais um de seus devaneios sobre o mundo... que ela espera que um dia venham refletir o que os outros chamam de realidade.
Escrito por Vanessa às 16h30
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